A flecha com ponta envenenada mais antiga do mundo foi descoberta na África do Sul
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 09:59
2 min de leituraA vida humana no Pleistoceno, há mais de 12 mil anos, era marcada pela caça de animais e pela coleta de plantas, raízes e frutos. Essa época geológica foi marcada pela última era do gelo do planeta, que cobriu grande parte do planeta com gelo. Assim, o nível do mar diminuiu e surgiram pontes terrestres, que foram providenciais para a migração de espécies pelos continentes. Foi o que ocorreu com a megafauna, os mamíferos gigantes como mamutes, mastodontes e tigres-dente-de-sabre – e também com os humanos, que, nesse período, chegaram às Américas.
Muitos cientistas já suspeitavam que os hominídeos que viveram nesse período usavam veneno para caçar animais, mas nenhum instrumento envenenado havia sido documentado – até agora.
O artigo publicado no último dia 7 na revista Science Advances descreve o registro mais antigo do mundo de flechas com pontas envenenadas, que datam 60.000 anos atrás, diretamente do Pleistoceno Tardio. A descoberta indica que o sistema cognitivo desses hominídeos era muito mais complexo do que se imaginava.
Os pesquisadores reanalisaram pontas de flecha feitas de quartzo, encontradas em 1985 no Abrigo Rochoso de Umhlatuzana, na África do Sul. Por meio de análises microquímicas e biomoleculares, foi identificada, em cinco das dez pontas estudadas, a presença dos alcaloides bufandrina e epibufanisinina, substâncias tóxicas.
Esses compostos provavelmente são provenientes da planta venenosa Boophone disticha, já associada a outras flechas envenenadas.
Ainda não é possível afirmar com certeza como as flechas eram utilizadas nem detalhar sua engenharia. Com pontas pequenas e leves, elas se assemelham bastante às flechas do Holoceno (período que sucede o Pleistoceno), que também faziam uso de plantas semelhantes.
As flechas do Holoceno eram projetadas especialmente para carregar veneno, e não para matar o animal instantaneamente. O método era engenhoso: a flecha perfurava um pequeno ferimento e sua ponta, de forma proposital, se desprendia da haste, permanecendo alojada na pele do animal. Feridos e lentos, eles seguiam andando por um dia ou mais, enquanto eram rastreados pelos caçadores.
O estudo sugere que a flecha descoberta pode ter tido, há 60 mil anos, uma funcionalidade semelhante.
Fonte: Superinteressante
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