
A história de Clara Pandolfo, pioneira da química e da proteção da Amazônia
Publicado em 3 de setembro de 2025 às 19:00
2 min de leituraO estado do Pará se prepara para receber, em novembro, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). A Amazônia será palco (e assunto) dos debates mais importantes sobre a crise do clima.
As discussões, claro, não são de hoje. Na verdade, há mais de 90 anos, uma paraense já antecipava assuntos que hoje mobilizam governos, empresas e sociedade civil. Seu nome é Clara Pandolfo.
Pioneira na química e na ciência amazônica, Clara defendeu o manejo florestal sustentável, o monitoramento do desmatamento por satélite e políticas de desenvolvimento que integrassem preservação ambiental e geração de renda para as comunidades locais.
Nascida em Belém, no dia 12 de junho de 1912, Clara foi a primeira mulher a se formar em química na região Norte e uma das cinco primeiras no Brasil. Filha do comerciante português Albano Augusto Martins e da paraense Judith Barreau do Amaral Martins, ela cresceu em uma família que valorizava a educação.
“Assim que concluiu o Ensino Médio, ela acalentava o sonho de ser aviadora, seguindo os passos de Anésia Pinheiro Machado, primeira mulher a realizar um voo solo no Brasil, mas seu pai não tinha condições de mandá-la para o Sudeste, onde ficavam as escolas de aviação”, conta à Super Murilo Fiuza de Melo, neto da cientista e autor do livro Clara Pandolfo, uma cientista da Amazônia.
“E aí é que entra a figura de sua mãe, Judith, uma paraense de ideias avançadas, que lutou para que todos os filhos – cinco no total – fizessem uma faculdade.”
Influenciada pela mãe, Clara ingressou na antiga Escola de Chimica Industrial do Pará (essa era a grafia de “química”), então dirigida pelo naturalista francês Paul Le Cointe, que se tornou seu mentor intelectual. Em 1929, aos 17 anos, apresentou a monografia “Contribuição ao estudo químico das plantas amazônicas”, que antecipava seu interesse pelo uso sustentável dos recursos naturais da região.
Nos anos 1930, envolveu-se no movimento sufragista brasileiro. “Ela entrou no Núcleo Paraense pelo Progresso Feminino, representando a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino da Bertha Lutz. Graças à luta das sufragistas, o Congresso aprovou, em 1932, o direito das mulheres de eleger e de se candidatar a cargos políticos”, conta Melo.
Dona de casa? Nem pensar
Ainda jovem, Clara teve de enfrentar os preconceitos da sociedade ao escolher trabalhar fora.
Fonte: Superinteressante
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