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Arqueologia: 5 das descobertas mais instigantes de 2025
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Arqueologia: 5 das descobertas mais instigantes de 2025

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 12:00

6 min de leitura

Este texto é parte da reportagem “Notícias do Subsolo”, da edição 483 da Super. Confira aqui a versão dos achados de paleontologia.

Tudo que passa pela Terra deixa vestígios. O tempo e os fenômenos naturais apagam a maioria, é verdade – mas, em condições propícias, ossadas, pegadas e artefatos podem durar milhões de anos. É sobre esses rastros que cientistas dedicados a decifrar o passado se debruçam.

O foco dos paleontólogos são os fósseis de todo tipo de ser vivo – eles trabalham com uma janela de tempo extensa, desde o surgimento da vida na Terra, há quase 4 bilhões de anos.

Henrique Petrus/Superinteressante Chá revelação146 mil anos atrás, em contexto

Onde: Ásia.

Antes: Entre 226 mil anos e 169 mil anos atrás, no platô do Tibete, as marcas de mãos e pés de crianças hominídeas formaram a arte rupestre mais antiga de que se tem notícia (1).

Depois: Os neandertais foram extintos há 40 mil anos; os denisovanos, há 32 mil. Ambos cruzaram com o Homo sapiens e deixaram marcas em nosso genoma.

Henrique Petrus/Superinteressante Em 1933, um crânio quase completo foi encontra do em Harbin, na China. Diferente de tudo que se conhecia, em 2019 ele foi descrito oficialmente como uma nova espécie, Homo longi, datada em 146 mil anos. Pela idade e localidade, havia também outra hipótese: de que se tratasse de um denisovano, um hominídeo que habitou a Ásia, e, assim como os neandertais, conviveu e procriou com o Homo sapiens.

Entretanto, diferentemente dos neandertais, que deixaram fartos registros fósseis, conhecidos há décadas, os denisovanos só foram descobertos em 2010, a partir do DNA de um dedo mindinho encontrado em uma caverna na Rússia. Pelo pouco conhecimento sobre a aparência dos denisovanos, não dava para confirmar ou descartar a hipótese do Homo longi.

Para resolver essa questão, encontrar vestígios de DNA no crânio de Harbin era indispensável – porém, tratando-se de um achado tão antigo, era uma missão quase impossível. Mas um molar sujo sal vou o dia: pesquisadores encontraram matéria orgânica preservada debaixo de uma camada dura de 0,3 mg de tártaro, de onde extraíram DNA mitocondrial (2). Quase simultaneamente, outro estudo isolou 95 proteínas antigas dos ossos do mesmo fóssil (3).

Os dois estudos confirmaram o match: o tal Homo longi era, na verdade, um denisovano. Os denisovanos tinham cérebros tão grandes como os dos sapiens, mas um rosto mais largo, com sobrancelhas quadradas e proeminentes, narinas amplas, molares grandes (como os de outros primatas ancestrais) e sem queixo projetado como o nosso. Conhecer a aparência deles é um passo importante para encontrar mais pistas sobre esse hominídeo misterioso.

A tumba perdida3,5 mil anos atrás, em contexto

Onde: Egito.

Antes: No Levante (região de Israel, Palestina, Líbano, entre outros), surgiam os primeiros alfabetos (1800–1500 a.C.). E a Mesopotâmia (atual Iraque) registrava leis escritas, como o Código de Hamurabi (1750 a.C.).

Depois: No Egito e em áreas vizinhas, por volta de 1200 a.C., o ferro começou a substituir o bronze, com impactos na agricultura, na guerra e na organização política.

Henrique Petrus/Superinteressante O corpo mumificado do faraó Tutmés II, da 18ª Dinastia do Egito Antigo, foi encontrado em 1886, escondido junto a dezenas de outras múmias para despistar saqueadores. O que ninguém sabia, até agora, era onde o rei havia sido original mente enterrado.

O mistério terminou após anos de escavações em uma tumba conhecida como Wadi C-4, fechada há mais de 3 mil anos. Lá, arqueólogos encontraram inscrições com o nome do faraó e de Hatshepsut, rainha que governou o Egito e era sua esposa e meia-irmã.

A tumba de Tutmés II é a última que faltava da 18ª Dinastia, e preenche lacunas de um reinado pouco documentado. Tutmés II governou por pouco tempo (algo entre 3 e 14 anos, segundo estimativas) e construiu poucos monumentos. Ao longo da História, acabou ofuscado pelo legado de seus xarás, Tutmés I e Tutmés III (que, em comparação, comandou o Egito por mais de 50 anos).

Poder ao povoEntre 3 mil e 2,8 mil anos atrás, em contexto

Onde: Estado de Tabasco, México.

Antes:Ao sul do atual México, os olmecas constituíam a primeira grande civilização da Mesoamérica; no Mediterrâneo, começavam a se formar as bases da Grécia Antiga; na Ásia, a Dinastia Shang se consolidava.

Depois: Também no sul do México, os maias criam assentamentos cada vez maiores; no Mediterrâneo, surge a cidade de Roma; no Oriente Médio, Babilônia vive um período de grande influência política e cultural.

Henrique Petrus/Superinteressante Arqueólogos identificaram uma construção maia interpretada como um cosmograma, isto é, uma representação da ordem do universo usa da em rituais coletivos. Com 1,5 km de comprimento, 400 m de largura e 15 m de altura, trata-se do maior e mais antigo monumento conhecido na região.

O sítio arqueológico, chamado Aguada Fénix, reúne uma enorme plataforma de terra com calçadas e canais Fonte 1 alinhados aos pontos cardeais, associados ao nascer do sol em datas do calendário de rituais mesoamericano.

A ausência de palácios, túmulos de elite ou imagens de governantes indica que a obra foi construída de forma comunitária ao longo de séculos, mostrando que sociedades sem poder centralizado já eram capazes de planejar construções monumentais e transformar a paisagem para suas celebrações (4).

A múmia tatuadaEntre 2,6 mil e 2,2 mil anos atrás, em contexto

Onde: Montanhas Altai, Sibéria, Rússia.

Antes: 2000 a.C: a Sibéria foi o último lugar a ter mamutes selvagens antes de serem extintos (5).

Depois: Nos últimos séculos antes de Cristo, as rotas de viajantes em cavalos da região da Sibéria se uniram à Rota da Seda, que conectou culturas e comércios de toda a Ásia e do Mediterrâneo.

Henrique Petrus/Superinteressante O permafrost, solo congelado das regiões frias, preserva seres vivos. Ao derreter, revela cápsulas do tempo de milhares de anos, como mamutes, bactérias – e a múmia de uma mulher de 50 anos. O cadáver foi encontra do em meados do século 20. Nos anos 2000, o uso de luz infravermelha revelou que sua pele escurecida pelo gelo estava coberta de tatuagens.

Agora, uma nova técnica revelou detalhes das ilustrações. As mãos e os braços da mulher estão repletos de animais, como tigres caçando veados e uma ave de cauda bufante. Tudo bem mais sofistica do do que as tattoos de outras múmias da região (e da época, no geral).

Os pesquisadores apontam que as artes nasceram de pigmentos feitos de carvão ou fuligem, várias ferramentas – e muita habilidade especializada. “Alcançar resultados tão nítidos e uniformes com métodos manuais seria um desafio até para tatuadores contemporâneos”, escreveram (6).

Cuidado: frágil79 d.C., em contexto

Onde: Herculano, antiga cidade do Império Romano.

Antes:Nascia e morria Jesus Cristo, entre cerca de 4 a.C. e 30 d.C. ou 33 d.C., dando origem ao cristianismo e a uma nova era religiosa no Ocidente.

Depois: Em 117 d.C., o Império Romano atingiu sua maior extensão territorial, do norte da Europa ao Oriente Médio

Henrique Petrus/Superinteressante Quando o Vesúvio entrou em erupção, a destruição ocorreu em etapas. No início, uma chuva de detritos vulcânicos soterrou casas, depois, uma nuvem de cinzas e gases extremamente quentes em alta velocidade avançou pelas cidades vizinhas.

O calor matou as pessoas quase instantaneamente, mas passou rápido demais para destruir os corpos por completo. A súbita contração dos músculos deixou as vítimas rígidas – e seus corpos, cobertos por camadas de cinzas, tiveram a forma preservada mesmo após a decomposição.

Fonte: Superinteressante

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