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Até 2100, clima da Amazônia pode se tornar “hipertropical” e colocar árvores em risco

Publicado em 16 de dezembro de 2025 às 20:00

3 min de leitura

À medida que as temperaturas globais sobem, a Amazônia caminha em direção a um novo regime climático, com secas quentes e prolongadas que põem em xeque a sobrevivência de suas árvores. Especialistas nacionais e internacionais alertam que, se nada for feito para frear as mudanças climáticas, o clima da floresta amazônica pode evoluir para um regime "hipertropical" até o final do século.

Os "hipertrópicos" são biomas mais quentes que 99% dos climas tropicais históricos, caracterizados por suas secas intensas. Não são coisa de agora: climas semelhantes foram registrados nos trópicos pela última vez entre 10 e 40 milhões de anos atrás, quando as temperaturas globais eram muito mais altas.

A estimativa é que, até 2100, os períodos de seca da Amazônia – que vão de agosto até outubro – possam se estender por até 150 dias anualmente. Essas secas cada vez mais quentes poderiam contribuir para um aumento de 55% na mortalidade das árvores.

As projeções foram publicadas na última quarta-feira (10) na revista Nature. O estudo é fruto de uma colaboração de uma década entre o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus – que monitora a biomassa da floresta há mais de 30 anos.

Para entender por que as árvores morriam durante as secas intensas, os pesquisadores monitoraram o movimento das águas, de minuto em minuto, dentro de 87 árvores. Isso no decorrer das duas últimas grandes secas, em 2015 e 2023. Mediram também a umidade do solo e a temperatura no interior da copa das árvores.

"Para nós interessa o quê? Interessa essa capacidade de troca da floresta com a atmosfera", diz Niro Higuchi, cientista do INPA envolvido no estudo. Os pesquisadores constataram que, durante períodos de secas intensas, a fotossíntese é prejudicada – a produtividade da floresta cai e a transpiração das árvores aumenta.

Para realizarem a fotossíntese, as árvores também obedecem um certo limiar de temperatura. Se o ambiente estiver quente demais, os estômatos – que são os buraquinhos pelos quais a planta sequestra o carbono da atmosfera para produzir energia – se fecham para evitar a perda de vapor d’água. "Pelo mesmo buraco que entra alimento, sai a água", resume Higuchi.

Porém, os cientistas também observaram que, quando a umidade do solo cai para menos de um terço, as árvores – que não se fecharam – também podem morrer por outro caminho, desenvolvendo embolismos (bolhas de ar) na seiva.

Climas hipertropicais fragilizam as árvores, principalmente as mais altas, de crescimento rápido e com pouca densidade de madeira. Porém, quem dá o golpe final são as tempestades.

Mesmo em períodos áridos, temporais acontecem, derrubando porções significativas da floresta de uma só vez. "Quando essa [árvore] mais frágil, principalmente as grandes, caem, ela não escolhe quem ela vai matar por baixo. Aqui nós temos um estudo que diz o seguinte: cada árvore que cai mata pelo menos outras 15 menores – e aí ela não escolhe. Ela pode pegar uma totalmente sadia e vai matar igual, pelo peso dela", explica Higuchi.

Fonte: Superinteressante

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