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Bolha da IA vai estourar? Análise aponta para “esvaziamento gradual” em vez de colapso repentino
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Bolha da IA vai estourar? Análise aponta para “esvaziamento gradual” em vez de colapso repentino

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 14:15

3 min de leitura

Resumo rápido!

Desde agosto de 2025, analistas e executivos do setor de tecnologia discutem quando — não se — a bolha da inteligência artificial vai implodir. Investimentos circulares entre NVIDIA, OpenAI, Microsoft e Amazon inflaram valuations estratosféricas, mas especialistas apostam em desaceleração lenta, não em crash ao estilo 2000.

Empresas de IA gastam bilhões comprando GPUs da NVIDIA, que por sua vez investe parte da receita de volta em startups de IA como OpenAI, inflando avaliações que justificam novos aportes de capital. Esse ciclo “bolla circolare” (bolha circular) cria a ilusão de crescimento sustentável, mas na realidade é dinheiro girando entre os mesmos players sem gerar retorno proporcional para o mercado como um todo.

Os números impressionam: Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, NVIDIA e Tesla representaram quase 50% dos ganhos totais do índice S&P 500 nos últimos três anos. O problema não é necessariamente supervalorização — embora ela exista —, mas sim a sustentabilidade da demanda diante de investimentos colossais. OpenAI e Microsoft, por exemplo, firmaram acordo de US$ 100 bilhões que envolve troca de serviços cloud e APIs, movimentando cifras gigantescas em transações que existem apenas no papel.

Franco Bernabè: “A bolha vai estourar, e muitos vão se machucar”

Franco Bernabè, ex-CEO da Eni e Telecom Italia e atualmente presidente da Universidade de Trento, foi direto em entrevista recente: “Acredito que a bolha da inteligência artificial vai estourar, e muitos vão se machucar”. Bernabè critica a arrogância dos atuais “donos da IA”, que vendem a tecnologia como ferramenta de conhecimento universal, uma visão que ele considera fadada ao fracasso

A crítica de Bernabè reflete preocupações de outros veteranos da indústria: a promessa de IA como solução para tudo (saúde, educação, transporte, criatividade) está sendo vendida muito antes de os produtos entregarem valor tangível. Modelos de linguagem como GPT-4 e Claude impressionam em demos controladas, mas falham consistentemente em aplicações reais que exigem precisão, confiabilidade e integração com sistemas legados.

Esvaziamento gradual parece mais provável que crash

Analistas como Alessandro Volpi, citado em análises recentes, apontam que o mais provável não é uma explosão ao estilo dot-com, mas um “esvaziamento” progressivo. A diferença é sutil mas importante: em vez de quebras em massa e desaparecimento de empresas da noite para o dia, o cenário esperado é de desaceleração de investimentos, correção de valuations e consolidação do mercado.

Dois fatores sustentam essa tese. Primeiro, as big techs têm caixa robusto e diversificação de receita: mesmo que IA decepcione, empresas como Microsoft, Google e Amazon continuam lucrando com cloud, publicidade e e-commerce. Segundo, os interesses políticos e econômicos envolvidos são grandes demais para permitir colapso abrupto — não é coincidência que CEOs de big techs compareceram em peso na posse de Donald Trump em janeiro de 2025, indicando alinhamento estratégico com o novo governo.

Se o esvaziamento começar de fato, os primeiros a sofrer serão pequenas startups de IA sem diferenciação clara ou defensibilidade de produto. Empresas que vivem de subsídios de cloudvão perder financiamento, e consolidação vai acelerar: gigantes vão comprar tecnologia e talentos por preço de liquidação.

Investidores de varejo que compraram ações de empresas de IA no pico podem amargar prejuízos de 40-60%, similar ao que aconteceu após 2000. Fundos de venture capital já estão ajustando teses de investimento, exigindo métricas de receita real em vez de apenas crescimento de usuários ou hype de produto. O mantra “crescimento a qualquer custo” está dando lugar a “prove que você consegue cobrar por isso”

Infraestrutura vai sobreviver, aplicações vão sofrer

Mesmo em cenário de esvaziamento, a infraestrutura construída para IA não vai desaparecer: data centers, GPUs, redes de alta velocidade e modelos foundation continuarão existindo e sendo úteis. O ajuste vai acontecer na camada de aplicações: chatbots genéricos, assistentes virtuais redundantes e ferramentas de geração de conteúdo sem proposta de valor clara vão sumir

Empresas que resolvem problemas específicos com IA — diagnóstico médico assistido, otimização de logística, descoberta de fármacos — têm chance maior de sobreviver, especialmente se já tiverem contratos corporativos recorrentes. O mercado B2B tende a ser mais estável que B2C, onde churn é alto e usuários trocam de ferramenta a cada novidade.

Fonte: Hardware.com.br

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