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Camundonga que foi ao espaço dá à luz após missão chinesa

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 18:00

2 min de leitura

No fim de outubro de 2025, quatro camundongos deixaram a Terra a bordo da missão tripulada Shenzhou-21. O objetivo era testar como mamíferos respondem ao ambiente espacial e se uma viagem curta em microgravidade pode afetar a capacidade reprodutiva.

Pouco mais de um mês após o retorno, o experimento produziu um resultado inédito para a ciência espacial. Uma das fêmeas deu à luz nove filhotes na Terra. Seis sobreviveram, um índice considerado normal para a espécie.

O nascimento foi anunciado em 29 de dezembro pelo Centro de Tecnologia e Engenharia para Utilização do Espaço, ligado à Academia Chinesa de Ciências.

Os camundongos permaneceram cerca de duas semanas a bordo da estação espacial chinesa, que orbita a aproximadamente 400 quilômetros da Terra. Eles viveram em um habitat especialmente projetado para pequenos mamíferos, adaptado às condições de microgravidade.

As luzes eram acesas às 7h e apagadas às 19h, para preservar um ritmo circadiano semelhante ao da Terra. A temperatura interna foi mantida em torno de 26 °C, e o sistema incluía um fluxo de ar direcional para impedir que fezes, pelos e restos de comida ficassem flutuando pelo ambiente – um problema comum na ausência de gravidade.

O uso de camundongos não é por acaso. Em nota, Huang Kun, especialista do centro de pesquisa da Academia, explicou que eles têm alta similaridade genética com humanos, ciclo reprodutivo curto e são facilmente modificáveis do ponto de vista genético.

Isso os torna modelos adequados para estudar processos fisiológicos e patológicos e observar, em pouco tempo, efeitos que em humanos levariam anos para aparecer. Experimentos anteriores já haviam mostrado, por exemplo, que espermatozoides de camundongos expostos ao espaço podiam ser usados para fertilizar fêmeas na Terra, reforçando o interesse científico nesse modelo animal.

Antes do lançamento, os quatro animais passaram por uma seleção rigorosa. Os testes incluíram avaliação de força e resistência em um dispositivo semelhante a uma bicicleta ergométrica em miniatura.

Houve também exames de resistência ao enjoo, com rotações prolongadas em várias direções, e testes comportamentais. Em um deles, os camundongos eram suspensos de cabeça para baixo, e os pesquisadores observavam a reação. Avançavam aqueles que resistiam ativamente, considerados mais resilientes. Labirintos foram usados para avaliar cognição espacial e capacidade de adaptação.

Após essa etapa, os animais viveram por um período em gaiolas compactas que simulavam o confinamento da cabine espacial. Só então os quatro com melhor desempenho foram escolhidos para a missão.

Fonte: Superinteressante

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