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CEO da NVIDIA aceita pagar US$ 8 bilhões em impostos, e explica por que não vai fugir da Califórnia
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CEO da NVIDIA aceita pagar US$ 8 bilhões em impostos, e explica por que não vai fugir da Califórnia

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 13:20

3 min de leitura

Resumo rápido!

Enquanto bilionários do Vale do Silício planejam êxodo fiscal, o CEO da NVIDIA adota postura oposta. Jensen Huang afirmou publicamente que aceitaria pagar cerca de US$ 8 bilhões caso avance a proposta de taxa extraordinária sobre fortunas na Califórnia — e sua justificativa tem mais a ver com talento e infraestrutura do que com altruísmo.

A “Billionaire Tax” que assusta o Vale do Silício

A Califórnia estuda implementar uma taxa extraordinária de 5% sobre patrimônios bilionários, proposta que poderia arrecadar até US$ 100 bilhões segundo estimativas do sindicato que a propõe. Para Jensen Huang, cujo patrimônio líquido alcança US$ 155 bilhões impulsionado pela explosão da NVIDIA no boom da inteligência artificial, isso significaria um cheque de aproximadamente US$ 7,8 bilhões para os cofres do estado.

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A reação de Huang, porém, surpreendeu analistas: ele declarou que “não se incomoda” com a possibilidade e que o valor é aceitável. Essa postura contrasta radicalmente com outros magnatas da tecnologia que já articulam mudanças de domicílio fiscal para estados sem impostos estaduais sobre renda, como Flórida ou Texas.

O pragmatismo

A lógica do CEO da NVIDIA é pragmática e revela muito sobre como empresas de tecnologia de ponta operam. Huang argumenta que o talento disponível no Vale do Silício supera qualquer benefício fiscal potencial. A NVIDIA funciona com estrutura organizacional relativamente plana, onde mais de 50 profissionais reportam diretamente a Huang, reduzindo camadas de gestão intermediária.

Diferentemente de executivos como Elon Musk, cuja fortuna inclui pacotes de compensação bilionários, a riqueza de Huang deriva primariamente de sua participação societária como cofundador da NVIDIA. Seu patrimônio multiplicou-se aproximadamente vinte vezes devido ao sucesso fenomenal da empresa no setor de processadores especializados para inteligência artificial — o que coloca em perspectiva por que US$ 8 bilhões, embora astronômico, não representa ameaça existencial para ele.

Talento versus incentivos fiscais: a equação de Huang

Huang também expressa apoio público aos serviços públicos, postura possivelmente influenciada por sua origem taiwanesa e tempo significativo em Taiwan, onde sistemas robustos de bem-estar social, saúde universal e transporte público funcionam efetivamente. Essa experiência pode ter moldado sua visão sobre a importância de infraestrutura pública de qualidade — algo que estados como Flórida ou Texas, apesar de vantagens fiscais, ainda lutam para igualar ao padrão californiano

A NVIDIA também se beneficia substancialmente de contratos governamentais, seja através de compras diretas de chips ou indiretamente via subsídios e incentivos fiscais para empresas estabelecendo data centers. Essa relação simbiótica com o setor público pode explicar parte da disposição de Huang em contribuir — afinal, se todos os bilionários pagarem a taxa de 5%, o ecossistema de inovação californiano pode se fortalecer, potencialmente tornando-o ainda mais rico no longo prazo.

A exceção que prova a regra

Enquanto bilionários como Larry Page (cofundador do Google, patrimônio de US$ 258 bilhões) registram empresas na Flórida e Peter Thiel fecha escritórios em Los Angeles para abrir em Miami, Huang permanece firme. Investidor Chamath Palihapitiya afirmou conhecer pessoas com “patrimônio coletivo de US$ 500 bilhões” que deixaram a Califórnia antes do final de 2025 antecipando a nova tributação.

A postura de Huang também reflete cálculo estratégico: priorizar liderança de mercado sobre otimização fiscal de curto prazo. Com a NVIDIA no epicentro da revolução da IA e seu valor de mercado disparando, manter acesso aos melhores talentos vale mais do que economizar bilhões em impostos. Para ele, estar longe do quartel-general interromperia seu estilo de gestão altamente hands-on, um custo operacional que nenhuma economia fiscal compensaria.

A proposta da “Billionaire Tax” ainda enfrenta debates legislativos e incertezas sobre arrecadação real, mas já provocou reações polarizadas. Jensen Huang se posiciona no lado menos comum: o dos que ficam e pagam. Resta saber se sua aposta em talento e infraestrutura pública se provará mais lucrativa que o êxodo fiscal dos colegas.

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Fonte: Hardware.com.br

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