ChatGPT apagou dois anos de trabalho de um professor com um único clique
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 15:43
3 min de leituraO ChatGPT apagou dois anos completos de trabalho acadêmico de um professor com um único clique. O incidente, que ocorreu sem aviso prévio e sem possibilidade de recuperação, expõe riscos significativos do uso de inteligência artificial para armazenamento e gerenciamento de dados profissionais importantes.
Marcel Bucher, professor de Ciências Vegetais da Universidade de Colônia na Alemanha, relatou sua experiência em um artigo publicado na revista científica Nature. Segundo o acadêmico, ele vinha utilizando o ChatGPT como ferramenta central para diversas atividades profissionais, incluindo preparação de aulas, redação de e-mails, estruturação de pedidos de bolsas e revisão de publicações científicas.
O desastre ocorreu quando o professor, que é assinante do plano premium da OpenAI por 20 euros mensais, decidiu testar a desativação da opção "data consent" (consentimento de dados) para verificar se ainda teria acesso às funcionalidades da plataforma sem que seus dados fossem utilizados.
Interface do app ChatGPT na loja de aplicativos, onde o professor utiliza a ferramenta para trabalho profissional. Naquele momento, todos os meus chats foram permanentemente deletados e as pastas de projetos foram esvaziadas — dois anos de trabalho acadêmico cuidadosamente estruturado desapareceram. Sem aviso prévio. Sem opção de desfazer. Apenas uma página em branco. Felizmente, eu havia salvado cópias parciais de algumas conversas e materiais, mas grandes partes do meu trabalho foram perdidas para sempre.
Inicialmente, o professor imaginou que se tratava de algum erro temporário. Tentou acessar seus dados em diferentes navegadores, dispositivos e redes. Também realizou tentativas de limpar o cache, reinstalar o aplicativo e até mesmo reverter as configurações, mas nada funcionou.
Ao contatar o suporte da OpenAI, Bucher foi primeiro atendido por um agente de IA. Após diversas tentativas, conseguiu falar com um funcionário humano, que confirmou a impossibilidade de recuperação dos dados perdidos.
Em resposta ao caso, a OpenAI esclareceu que fornece um aviso de confirmação antes que um usuário delete permanentemente um chat. No entanto, a empresa afirmou que após a confirmação da exclusão, o conteúdo não pode ser recuperado via interface de usuário, APIs ou suporte, alinhando-se às práticas de privacidade e requisitos legais sobre dados dos usuários.
"Para proteção de dados, sempre recomendamos que os usuários mantenham backups pessoais para trabalhos profissionais", afirmou a empresa em comunicado à revista Nature.
A fragilidade do armazenamento digital
O caso do professor alemão não é isolado. Em outros incidentes recentes, um engenheiro de software perdeu 10 anos de dados armazenados na nuvem da Amazon Web Services (AWS), e um usuário do OneDrive ficou bloqueado do acesso a 30 anos de fotos e trabalhos, sem receber suporte efetivo da Microsoft.
Esses casos evidenciam a vulnerabilidade de confiar exclusivamente em plataformas digitais para o armazenamento de informações valiosas. O professor Bucher argumenta que, como assinante pagante do serviço, esperava encontrar medidas básicas de proteção:
"Se um único clique pode apagar irreversivelmente anos de trabalho, o ChatGPT não pode, em minha opinião e com base na minha experiência, ser considerado completamente seguro para uso profissional. Como assinante pagante, presumi que medidas básicas de proteção estariam em vigor, incluindo um aviso sobre exclusão irreversível, uma opção de recuperação, ainda que com prazo limitado, e backups ou redundância."
Especialistas em segurança digital recomendam sempre seguir a regra 3-2-1 para backups: manter pelo menos três cópias dos dados importantes, armazenadas em dois tipos diferentes de mídia, com pelo menos uma cópia guardada em local fisicamente separado ou na nuvem.
O incidente serve como um alerta sobre os riscos de depender excessivamente de ferramentas de IA para gerenciamento de conteúdo profissional sem implementar estratégias robustas de backup. Por mais conveniente que o ChatGPT e outras ferramentas de IA possam ser, a responsabilidade final pela segurança dos dados continua sendo do usuário.
Você também pode gostar dos artigos abaixo:
ChatGPT agora encontra conversas antigas com mais precisão, mas nem todos terão acesso
"Você não está louca": ChatGPT alimenta delírio sobre irmão morto e leva jovem à internação
Fonte: Hardware.com.br
Leia também
- Sem álcool, sem férias e 92 horas de trabalho por semana: o estilo de vida dos novos fundadores de startups no Vale do Silício

Marty Kausas tem 28 anos, fundou a startup Pylon e quer construir uma empresa que abra capital valendo mais de US$ 10 bilhões. No ano passado, ele publicou em seu perfil no Linkedin que estava adotando uma rotina de trabalho de 92 horas por semana, e que fez isso nas últimas 3 semanas. “Isso não é para glamourizar ou…
💬 0 - Brasileiro de 12 anos desenvolve sistema operacional sem Linux como base e diz “fiquei muito feliz em concluir esse ciclo de desenvolvimento”

O jovem brasileiro Lucas Prado Coelho, de 12 anos, publicou o código-fonte de um sistema operacional gráfico próprio na comunidade. Batizado de GenesisOS, o software opera em arquitetura de 32 bits e foi construído sem a utilização do núcleo Linux como base de código, dependendo de rotinas desenvolvidas diretamente na…
💬 0 - Anos de desenhos em vão: o erro da IA que bloqueou os arquivos do Google Drive de um Mangaká

O artista japonês Masahiro Itosugi perdeu o acesso permanente à sua conta do Google após subir arquivos de um antigo quadrinho pessoal para o serviço de armazenamento em nuvem Drive. O sistema automatizado da plataforma identificou o conteúdo como violador de diretrizes, bloqueando o acesso do usuário de forma imediat…
💬 0