Cientistas encontram registros de mudanças climáticas em órgãos de igreja
Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 08:00
2 min de leituraQuem tem violão em casa sabe: manter um instrumento afinado é um inferno. A menor mudança de temperatura ou umidade já é o suficiente para mexer no humor das cordas e transformar uma sinfonia em cacofonia.
Isso acontece porque os materiais que compõem os instrumentos são muito sensíveis às condições do ambiente. A madeira, por exemplo, incha quando absorve a umidade do ar; e, em lugares muito secos, pode contrair até rachar.
O mesmo vale para a temperatura, graças à dilatação térmica. Fisicamente, o calor é uma medida do quão agitadas as moléculas de um objeto estão – e, consequentemente, quanto espaço elas ocupam. Aquecido, o corpo do instrumento expande – e, em casos extremos até deforma –, as cordas tensionam até desafinar e o som em si começa a ressoar pelos componentes de maneiras diferenciadas.
Se isso já faz do violão uma grande dor de cabeça, imagine cuidar de um instrumento do tamanho de uma igreja.
É o caso do órgão de tubos – um mecanismo enorme, complexo e delicado capaz de emitir um som tão estrondoso que mais parece algo vindo do divino. O instrumento se firmou nas igrejas europeias durante o século 12, e até hoje muitos continuam em funcionamento ao redor de todo o planeta.
O organista, tem na ponta de seus dedos, controle sobre um sistema de tubulação no qual cada nota do teclado, semelhante ao do piano, corresponde a vários tubos de timbres diferentes – que são selecionados num mecanismo de "registros". Quando ele aperta uma nota, uma válvula se abre e sopra uma rajada de ar pela tubulação, o que produz o som.
Toda essa engenharia é muito delicada, e precisa de manutenção constante para manter tudo afinado e funcionando. Uma variação de 5 °F da temperatura original na qual o instrumento foi afinado já é o suficiente para tirá-lo de afinação.
Parte dessa manutenção é o registro: é comum que músicos anotem cada detalhe de cada avaria no instrumento em um caderno, que depois será consultado pelo profissional que faz a afinação. Entre esses detalhes, constam condições de temperatura e da umidade relativa do ar.
Foi daí que pesquisadores da Nottingham Trent University, na Inglaterra, tiveram uma grande sacada. Tendo em mãos anos e anos de registros dos níveis de temperatura e umidade dentro das igrejas, eles poderiam ter uma ideia do quanto essas medidas mudaram ao longo do tempo.
Analisando as anotações em 18 cadernos de igrejas ao redor do Reino Unido, os cientistas verificaram um crescimento nas temperaturas dos espaços internos. Dentro de igrejas localizadas em espaços urbanos, por exemplo, a temperatura média nos verões durante os anos 1960 era de 17,2 °C. Entre 2020 e 2024, esse número havia subido para os 19,8 °C. O mesmo vale para o inverno: entre 1966 e 2024, as temperaturas médias subiram de 12,8 °C para 18,6 °C.
Fonte: Superinteressante
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