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Cloud-9 é uma galáxia sem estrelas? Entenda objeto cósmico nunca antes observado

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 16:00

2 min de leitura

Astrônomos identificaram, pela primeira vez, um objeto cósmico que reúne quase todos os ingredientes de uma galáxia, com exceção do mais óbvio: estrelas.

Batizada de Cloud-9 (ou "Nuvem-9"; em inglês, também é uma expressão para momentos de grande felicidade), a estrutura é composta basicamente por gás hidrogênio e parece estar imersa em uma grande concentração de matéria escura.

A descoberta, detalhada em artigo publicado na The Astrophysical Journal Letters, confirma uma previsão antiga da cosmologia e abre uma nova janela para investigar como galáxias surgem – e por que algumas falham no processo.

Localizada a cerca de 14 milhões de anos-luz da Terra, na vizinhança da galáxia espiral Messier 94, a Cloud-9 é o primeiro exemplo confirmado de um tipo de objeto conhecido como RELHIC, sigla em inglês para Reionization-Limited HI Cloud.

Trata-se de uma nuvem de hidrogênio neutro cuja evolução foi limitada por eventos ocorridos nos primórdios do Universo, antes mesmo de as primeiras galáxias se consolidarem. "É a história de uma galáxia que não se formou", afirmou Alejandro Benitez-Llambay, um dos autores do estudo, em nota.

Para entender por que a Cloud-9 é tão incomum, é preciso voltar alguns bilhões de anos no tempo. De acordo com o modelo padrão da cosmologia, a matéria escura – um tipo de matéria invisível, que não emite nem reflete luz – forma estruturas chamadas halos.

Esses halos funcionam como "andaimes gravitacionais": atraem gás, principalmente hidrogênio, que pode esfriar, colapsar e dar origem a estrelas. É a construção de uma galáxia.

A teoria prevê, porém, que halos um pouco menores também deveriam existir. Eles seriam grandes o suficiente para acumular gás, mas pequenos demais para iniciar a formação estelar.

O resultado seriam nuvens ricas em hidrogênio, dominadas pela gravidade da matéria escura e completamente escuras do ponto de vista óptico. Essas estruturas receberam o nome de RELHICs e, até agora, permaneciam apenas no campo das simulações.

A Cloud-9 encaixa-se exatamente nesse cenário. Ela contém cerca de um milhão de vezes a massa do Sol em hidrogênio gasoso, distribuído em um núcleo com aproximadamente 4.900 anos-luz de diâmetro.

Para manter esse gás estável, é necessário um campo gravitacional muito mais intenso do que o próprio hidrogênio poderia gerar. A partir desse equilíbrio, os pesquisadores calcularam que o halo de matéria escura associado ao objeto deve ter algo em torno de cinco bilhões de massas solares.

Fonte: Superinteressante

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