Como o lockdown da pandemia transformou o bico desses passarinhos
Publicado em 24 de dezembro de 2025 às 14:00
2 min de leituraQuando a humanidade se recolheu a seus respectivos cantinhos durante os primeiros anos da pandemia de COVID-19, o restante da natureza redescobriu como era viver em um mundo sem pessoas. Pumas passearam na capital chilena de Santiago, leões-marinhos tiraram cochilos no porto da Argentina, e cientistas observaram tudo muito atentamente.
Era um período inédito para o estudo do comportamento dos animais longe do contato humano: a antropausa, que vem de Antropo-, prefixo grego para "humano", junto com "pausa". Por um breve momento, o ruído do transporte e o movimento dos barcos deram trégua aos bichos. E eles, por sua vez, aproveitaram para desbravar distâncias 73% maiores que antes.
Já para um certo tipo de pardal que vive na cidade de Los Angeles, essa foi uma época de transformação. Literalmente. Para juncos-de-olhos-escuros (Junco hyemalis), o que mudou, na verdade, foram seus biquinhos, que ficaram mais longos – um formato mais comum em juncos de fora das áreas urbanas.
Foi o que pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles descobriram ao medirem espécimes nascidos antes, durante e depois da grande pausa. Os achados foram publicados no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.
Para quem circula pelo campus da Universidade da Califórnia, é comum ver esses passarinhos voando de um lado para o outro ou revirando o lixo. A dieta deles depende das sobras dos estudantes: migalhas de cookies, pedaços de pão e tudo que resta da refeição média de um graduando vira lanche para esses bichos.
Nativos dos climas temperados da América do Norte, eles se mudaram para as cidades há 40 anos e apresentam algumas diferenças físicas em comparação a seus parentes de regiões selvagens. Na cidade, seus bicos são mais curtos e atarracados – e o motivo provavelmente tem a ver com comida.
Na selva, o cardápio dos pardais alterna entre sementes e insetos, um dos possíveis fatores que pressiona as populações a desenvolverem um bico mais longo. Com uma dieta de sobras, porém, as aves com bicos mais curtos levam vantagem na hora de ciscar nas pilhas de lixo.
É o caso de muitas espécies que acabam se adaptando à convivência com humanos. Contextos urbanos, em especial, estimulam mudanças consideravelmente ágeis em uma variedade de seres vivos.
Daí veio a pandemia, e a Universidade da Califórnia fechou as suas portas. Entre março de 2020 e o setembro de 2021, o movimento no campus de Los Angeles reduziu drasticamente, e a maioria das lanchonetes permaneceram fechadas até o final do período de lockdown.
Fonte: Superinteressante
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