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Crítica de Homem em Chamas

Publicado em 30 de abril de 2026 às 13:25

3 min de leitura

Por gerações, a América do Norte tem criado máquinas de matar humanas e brutais que não podem ser desligadas facilmente. Existe um propósito para um herói de guerra além de viver eternamente no auge do conflito? Para John Creasy, não. O Homem em Chamas da Netflix é alguém incapaz de seguir em frente. Uma bomba catalisada pelo transtorno de estresse pós-traumático. Um imã de confusão. Uma ótima premissa para a ação, certo? Sim, a série de Kyle Killen nasce de uma boa ideia, mas não chega lá.

Após atentar contra a própria vida, John Creasy (Yahya Abdul-Mateen II) é convencido por um amigo a relaxar no Rio de Janeiro. Mas a cidade não seria perigosa? Bem, no Leblon não — ou não deveria ser. É véspera de eleição presidencial e o candidato da situação teme um atentado que o impeça de assumir o cargo. Nesse cenário, o segurança norte-americano contratado para proteger a autoridade brasileira morre em uma explosão, junto com quase toda a família. A única sobrevivente é sua filha rebelde, Poe (Billie Boullet), que se torna uma testemunha-chave para o governo e um alvo de queima de arquivo para uma terrível quadrilha política. Os criminosos, no entanto, pegaram em bomba, pois esse segurança era justamente o amigo que levou Creasy ao Rio. Agora, esse brutamontes forjado na guerra está solto na capital fluminense como um pitbull raivoso, sedento por vingança e fazendo o necessário por Poe — ou talvez isso seja apenas a desculpa que ele precisava para ter um pouco mais de ação.

A ambientação de Homem em Chamas no Rio de Janeiro é razoavelmente factível. Há alguns absurdos aqui e ali, mas nada que fuja do padrão da visão enviesada que Hollywood tem de países fora dos EUA. Diria até que essa é uma das graças da série. É muito divertido ver Yahya Abdul-Mateen II fugindo de mercenários pilotando um Voyage velho.

Há de se elogiar também a decência da Netflix em contratar atores brasileiros para interpretar personagens brasileiros. Isso é algo que Velozes & Furiosos jamais fez, mesmo tendo um orçamento muito maior.

Os esforços de produção da série são louváveis, mas há uma dificuldade clara em entregar a tensão como produto final. Tudo se baseia no choque e em uma ação pouco impressionante, sustentada, em sua maior parte, por cortes abruptos. Não existe noção de geografia de cena. A tela é imprevisível, não por uma escolha estética positiva, mas porque a blocagem é bagunçada. Sem tantos truques de câmera, há um excesso de fugas ao digital que fazem com que o visual fique pouco agradável.

Geralmente, o tom de uma série é definido em seus episódios iniciais, tornando a concepção do piloto um processo delicado. Homem em Chamas, contudo, segue a lógica de um filme esticado, sacrificando a estrutura episódica. Somado a isso, Steven Caple Jr. (Transformers: O Despertar das Feras) parece não estar muito afim do trabalho. Ele conduz a obra com a energia de quem apenas cumpre tabela em uma tarde de quinta-feira pré-feriado. O resultado é um vácuo criativo que os diretores subsequentes lutam para preencher.

Embora parta de um terreno fértil para o gênero — ainda que saturado —, Homem em Chamas sofre com a falta inspiração. No fim das contas, é uma produção executada de qualquer jeito que, lamentavelmente, resulta em qualquer coisa.

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Nota 5

O post Crítica de Homem em Chamas apareceu primeiro em O Vício.

Fonte: O Vicio

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