
De Inimigo público a maior acionista: Como Steve Jobs conquistou 7% da Disney após tretar com o CEO da empresa
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 14:40
6 min de leituraResumo rápido!
Steve Jobs pagou US$ 10 milhões por uma divisão falida da Lucasfilm em 1986 e quase quebrou mantendo-a viva. Vinte anos depois, após uma guerra pública com Michael Eisner que quase explodiu a relação Disney-Pixar, ele vendeu a empresa por US$ 7,4 bilhões e acordou como maior acionista individual da Disney — controlando 7% do império que jurou nunca mais pisar enquanto seu inimigo estivesse no comando
A aposta suicida de US$ 50 Milhões
Fevereiro de 1986: Jobs, que estava fora da Apple após uma briga humilhante com o conselho, decide investir US$ 10 milhões na divisão de computação gráfica da Lucasfilm. George Lucas estava desesperado após o desastre de “Howard, o Pato” e precisava liquidar ativos para evitar a falência, Jobs ofereceu metade do valor inicial pedido e Lucas não teve escolha.
O que veio depois foi um pesadelo financeiro. Entre 1986 e 1995, Jobs despejou US$ 50 milhões do próprio bolso para manter a Pixar respirando. A empresa vendia computadores caros que ninguém queria e produzia curtas de animação apenas para demonstrar a tecnologia. Jobs cogitou vender a operação várias vezes, mas ninguém queria comprar um buraco negro de dinheiro.
A Explosão: “enquanto Eisner estiver lá, nunca mais negocio”
Em 1991, Disney e Pixar assinaram um acordo que hoje parece uma piada de mau gosto: Disney ficava com 100% dos direitos dos personagens, 100% do licenciamento de produtos, e a maior parte dos lucros — Pixar era tratada como prestadora de serviços, não como parceira. Quando “Toy Story” explodiu em 1995, Jobs exigiu renegociar e ameaçou sair se não recebesse 50% dos lucros.
Mas o verdadeiro colapso veio com “Toy Story 2”. Disney usou uma brecha contratual para classificar o filme como um “spin-off direto para vídeo”, algo que não contaria no contrato de cinco longas-metragens. Na prática, forçou a Pixar a entregar um blockbuster de graça. Jobs engoliu a humilhação. Quando Eisner sinalizou que faria o mesmo com “Toy Story 3”, Jobs explodiu.
O golpe fatal veio em fevereiro de 2002, quando Eisner testemunhou no Congresso americano sobre pirataria digital e atacou publicamente o slogan da Apple “Rip, Mix, Burn”, acusando Jobs de promover roubo de propriedade intelectual. Para Jobs, foi pessoal.
Em janeiro de 2004, após 10 meses de negociações fracassadas, Jobs anunciou publicamente: “Terminamos. Estamos seguindo em frente”. Em abril, ele foi ainda mais longe ao New York Post: “É ele ou eu. Só volto a negociar com a Disney se Eisner sair”.
Boby Iger entra em cena
Em setembro de 2005, Bob Iger assumiu como CEO após uma revolta interna que derrubou Eisner. Seu primeiro ato? Ligar para Steve Jobs. Iger esperava um discurso raivoso; Jobs respondeu: “Não é uma ideia tão maluca”.
O segredo que quase explodiu o acordo de US$ 7,4 Bilhões
Em 24 de janeiro de 2006 a Disney e Pixar anunciam a fusão totalmente em ações por US$ 7,4 bilhões. Mas 30 minutos antes do anúncio ao mercado, Jobs leva Iger para um passeio no campus da Pixar e solta a bomba: “O câncer voltou. Me deram 50% de chance de viver cinco anos”.
Jobs oferece a Iger a chance de desistir do negócio na hora. Era uma decisão impossível: cancelar uma aquisição de US$ 7,4 bilhões minutos antes do anúncio por causa da saúde do maior acionista poderia gerar processos bilionários por ocultação de informação material.
Iger decide prosseguir e mantém o segredo por três anos. Sua justificativa: “Você é nosso maior acionista, mas não acho que isso importe. Você não é material para este negócio. Estamos comprando a Pixar, não você”. Era tecnicamente verdade, mas uma aposta de alto risco.
O fechamento oficial em 5 de maio de 2006 transformou Jobs no maior acionista individual da Disney. Ele trocou sua participação de 49,65% na Pixar por 7% da Disney (138 milhões de ações avaliadas em US$ 3,9 bilhões). Michael Eisner, que havia tratado Jobs como “mão de obra contratada” durante anos, detinha apenas 1,7%. Roy Disney, sobrinho do fundador, tinha 1%.
A proteção obsessiva: 75 regras ou nada
Como parte do acordo, Ed Catmull (cofundador e presidente da Pixar) e John Lasseter (diretor criativo e cérebro por trás de “Toy Story”, “Procurando Nemo” e “Os Incríveis”) assumiriam o comando da divisão de animação da Disney, que estava enfrentando muitas dificuldades. Mas Lasseter tinha uma condição inegociável: a Disney não poderia destruir o DNA criativo da Pixar.
Ele criou uma lista de 75 itens culturais intocáveis que a Disney foi obrigada a assinar: o bar de cereais gratuito, o concurso anual de aviões de papel, a liberdade dos animadores de decorarem escritórios como quisessem. Iger aceitou tudo.
Jobs no conselho: O “acionista silencioso” que nunca calou a boca
Jobs passou a ocupar um assento no conselho da Disney e foi tudo menos discreto. Ele redesenhou a estratégia das lojas Disney com Ron Johnson (então chefe do varejo da Apple), desencorajou a empresa de licenciar sua marca para operadoras de cruzeiros, e até sugeriu que comprassem a ilha inteira de Lanai para criar um parque temático exclusivo.
Iger e Jobs se tornaram amigos próximos, conversando várias vezes por semana. Em 2010, durante um brinde no Havaí, Jobs resumiu: “Nós dois fizemos algo inacreditável, não fizemos? Salvamos a Disney e salvamos a Pixar”.
Pouco depois de sua morte em outubro de 2011, o pacote de 138 milhões de ações foi transferido para um trust administrado por Laurene Powell Jobs, sua viúva e empresária filantropa. O patrimônio estava avaliado em US$ 4,6 bilhões na época. Esse mesmo pacote vale atualmente algo na casa dos US$ 23 bilhões.
O passe ao clube e a honra eterna
A ironia final: foi a Pixar, não a Apple, que transformou Jobs em bilionário. Uma semana após a estreia de “Toy Story”, que arrecadou US$ 401 milhões globalmente e se tornou o filme de maior bilheteria de 1995, a Pixar abriu capital em 29 de novembro de 1995. As ações, precificadas a US$ 22, abriram a US$ 47 e fecharam o dia a US$ 39, valorizando 175%. Jobs, que detinha 80% da empresa na época do IPO, acordou bilionário.
Uma das primeiras ligações que ele fez foi para Larry Ellison, cofundador da Oracle e já membro do clube dos bilionários. “Alô, Larry? Eu consegui”, disse Jobs. Apenas isso.
Em uma entrevista rara gravada exatamente um ano após a estreia de “Toy Story”, em 22 de novembro de 1996, Jobs revelou o princípio de gestão que considerava revolucionário na Pixar:
“Acontece essa coisa estranha, que é a hierarquia de poder se inverter. E o CEO fica, na verdade, na base da pirâmide”. Ele explicou que trabalhava para os talentos criativos, não o contrário, porque eles eram tão raros que “podem conseguir outro emprego em 10 minutos” se não fossem bem tratados.
4 livros sobre Steve Jobs que ajudam você a entender sua história e visão
Assistindo seu filho pequeno assistir “Branca de Neve” 30 ou 40 vezes, Jobs finalmente compreendeu o verdadeiro propósito da Pixar: “Ter a oportunidade de colocar essas histórias na cultura dessa forma, se conseguirmos trabalhar muito duro e ter sorte repetidas vezes, é uma oportunidade rara”.
Jobs havia quase quebrado mantendo a Pixar viva por uma década, chegou a US$ 50 milhões no vermelho, travou uma guerra pública com o CEO da maior empresa de entretenimento do mundo, e no final acordou como o maior acionista individual dessa mesma empresa.
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Fonte: Hardware.com.br
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Nota do Editor: Durante o recesso, estamos republicando matérias que foram destaque ao longo de 2025. Este conteúdo foi originalmente publicado em 18 de julho de 2025. Nossa cobertura regular retorna na próxima segunda-feira, 05 de janeiro de 2026. Abraço!
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