Duração da caminhada importa mais do que número de passos, aponta estudo
Publicado em 21 de dezembro de 2025 às 16:00
2 min de leituraEste texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein.
Um estudo liderado por pesquisadores da Espanha revela que quanto menos se caminha por dia, maior é o risco de morte por doenças cardiovasculares ou câncer. Não é a primeira vez que uma pesquisa associa a caminhada a uma vida mais longa e saudável, mas este trabalho se diferencia por avaliar não apenas a quantidade de passos que devem ser dados diariamente, mas também a duração que esse esforço deve ter.
Quanto mais longo o período em movimento, melhor para a saúde, segundo o artigo publicado em outubro na revista Annals of Internal Medicine. A investigação analisou dados de saúde de 33 mil pessoas do UK Biobank, levantamento britânico que acompanha voluntários para pesquisas sobre saúde e prevenção de doenças. Os indivíduos selecionados para avaliação caminhavam até 8 mil passos por dia, tinham, em média, 62 anos no início do estudo e não apresentavam doenças.
Após oito anos de acompanhamento, os resultados demonstram que passos acumulados em trechos longos de caminhada importam mais para manter a longevidade do que as pequenas caminhadas distribuídas ao longo do dia. As mortes foram mais frequentes entre pessoas que caminhavam por períodos contínuos inferiores a cinco minutos ao dia: nesse grupo, 4,36% dos indivíduos morreram. Entre os que se moviam por mais de 15 minutos seguidos, o índice caiu para 0,84%.
A incidência de doença cardiovascular manteve um padrão semelhante: entre os voluntários do grupo que caminhava por menos de cinco minutos, 13,03% apresentaram esses problemas. No grupo que andava por mais tempo, o índice ficou em 4,39%. "O que a ciência mostra hoje é que o principal fator de proteção é acumular passos ao longo do dia. Algo em torno de 7 mil passos diários já reduz bastante o risco cardiovascular", observa a cardiologista e médica do esporte Luciana Janot, do Einstein Hospital Israelita. "Mas existe um plus: quando parte desses passos vem de caminhadas mais longas, de pelo menos 15 minutos contínuos, o benefício para o coração é ainda maior."
Já se sabe que caminhar reduz o risco de infarto, AVC e doenças crônicas como diabetes, hipertensão e depressão. Só que é preciso fazer do jeito certo. "A receita ideal tem três componentes: quantidade, regularidade e momentos de atividade contínua", frisa
Janot. Note que esse tripé não inclui a intensidade. Antes se imaginava que caminhar rápido era um fator importante, mas manter uma rotina de exercícios regular, por longas distâncias e com grande duração deve ser o foco especialmente para quem está buscando deixar de ser sedentário. "Não precisa caminhar até ficar ofegante. Manter um ritmo confortável, mas contínuo, basta", orienta a médica.
Caminhar para uma vida mais longa
O estudo espanhol sugere que as caminhadas contínuas têm esse efeito protetor por manterem o coração em atividade elevada por mais tempo, o que melhora a circulação sanguínea e aumenta a flexibilidade das artérias.
Fonte: Superinteressante
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