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Ela valia mais que Apple, Amazon e NVIDIA juntas: A gigante de 2000 que deu tudo errado

Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 14:15

2 min de leitura

Em março de 2000, durante o auge da bolha das pontocom, a Palm estreou na bolsa com uma valorização explosiva: ações que saíram a US$ 38 dispararam para US$ 165 e fecharam em US$ 95, dando à empresa um valor de mercado de US$ 53 bilhões. Esse montante superava o de gigantes como General Motors e McDonald’s na época, e era maior que a soma das capitalizações de Apple, Google (ainda não listada publicamente), NVIDIA e Amazon.

Hoje, a Palm é uma lembrança distante, comprada pela HP por apenas US$ 1,2 bilhão em 2010 e depois descontinuada. A história revela como a euforia do mercado pode inflar bolhas e como a falta de adaptação destrói impérios.

O pico improvável da Palm

PalmPilot A Palm surgiu em 1992, fundada por Jeff Hawkins, com foco em assistentes digitais pessoais (PDAs). Seu grande hit veio em 1996, com o PalmPilot: um dispositivo compacto alimentado por duas pilhas AAA comuns, que mantinham o aparelho funcionando por semanas. Custava US$ 299 – metade do preço do Apple Newton – e oferecia o essencial: agenda, lista de contatos, tarefas e anotações, tudo sincronizável com o PC via cabo serial.

O segredo estava na simplicidade radical. Hawkins lutou contra o acúmulo de funções desnecessárias carregando um bloco de madeira do tamanho de um bolso por meses, fingindo "checar o calendário" ou "anotar" durante reuniões. Quando alguém sugeria um recurso novo, ele sacava o bloco e perguntava onde aquilo caberia.

O resultado foi um aparelho de 160 gramas, com tela monocromática de 160×160 pixels e sistema de escrita Graffiti (caneta stylus reconhecendo letras simplificadas), que fazia quatro coisas, mas fazia bem.

No Brasil, o PalmPilot chegou em versão revisada em 1997, vendido a R$ 499 pelo modelo Professional com 1 MB de RAM. A novidade era backlight (iluminação interna para usar no escuro), protocolo TCP/IP para conexão à internet via sincronização com o PC desktop, e o aplicativo "Expenses" para controle de gastos pessoais.

Você podia configurar seu provedor de e-mail no computador, sincronizar o Pilot via cabo serial, e o aparelho baixava suas mensagens – lidas e respondidas no Pilot, depois enviadas na próxima sincronização. Era tecnologia de ponta para executivos e entusiastas brasileiros, ainda que o modelo básico Pilot 5000, sem internet nem backlight, custasse R$ 300. Na época, o salário mínimo era R$ 120.

Em 1995, a U.S. Robotics comprou a Palm por US$ 44 milhões; em 1997, a 3Com absorveu a U.S. Robotics. Até 2000, a empresa vendeu mais de 30 milhões de unidades do PalmPilot e licenciou seu Palm OS para rivais, dominando 70-85% do mercado de PDAs. O IPO foi febril: com a 3Com ainda detendo 94% das ações, a Palm valia mais que sua controladora (US$ 28 bilhões).

Valor de mercado aproximadas em março de 2000:

Empresa Valor de mercado (US$ bilhões, aprox.)​

Palm 53

Apple ~5-7

NVIDIA ~3-4 ​

Fonte: Hardware.com.br

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