Pular para o conteúdo
Tecnologia
enfermeira
amarrada
autocirurgia
história
como
este

Enfermeira amarrada? Autocirurgia? A história de como este vencedor do Nobel inventou o cateterismo cardíaco

Publicado em 31 de dezembro de 2025 às 10:14

2 min de leitura

O cateterismo cardíaco permite aos médicos ver por dentro do coração e das artérias coronárias usando um tubinho fino e flexível chamado cateter, introduzido por uma artéria ou veia e guiado até o coração. Por ele, corre uma substância, o contraste, que aparece no raio-X. Assim, o médico vê as artérias, válvulas e câmaras do coração em tempo real.

Esse é um dos procedimentos médicos mais realizados no mundo, já que é útil para várias coisas, como detectar entupimentos. Mas muita gente não sabe que ele provavelmente não existiria se não fosse por um médico completamente maluco.

Essa história começa em 1929. Werner Forssmann era um médico residente alemão que, assim como muitos, se indagava se o cateterismo poderia ser usado no coração — o procedimento, até então, era aplicado principalmente na uretra e em vasos periféricos. Especulava-se que o cateterismo poderia ser muito útil para avaliar estruturas próximas à nossa bomba de sangue, mas temia-se que fazer uma tentativa dessas mataria os pacientes.

Forssmann acreditava que o cateterismo cardíaco podia funcionar se combinado ao uso de raios-X. Descobertos no final do século 19, eles já eram uma realidade na Medicina, mas ainda de forma muito modesta: eram usados principalmente para diagnóstico de fraturas e deformidades ósseas, e também para radiografias dos pulmões.

Assim como Forssmann, vários médicos acreditavam que, com o uso de raios-X, seria possível guiar o cateter de forma precisa até o coração, diminuindo consideravelmente os riscos para os pacientes.

Acreditar é uma coisa, ter coragem pra testar é outra. Mas Forssmann teve.

O dia da verdade

Naquele ano de 1929, Forssmann trabalhava no hospital de Eberswalde, ao norte de Berlim. Ele havia discutido com seu chefe a possibilidade de realizar o cateterismo cardíaco com apoio de raio-X, ao que o superior lhe respondeu: teste em animais primeiro. Mas Forssmann tinha uma ideia ainda melhor: testar o procedimento em si mesmo!

O chefe, claro, não poderia saber. Mas pelo menos uma pessoa precisava estar por dentro do plano: Gerda Ditzen, a enfermeira que tinha a chave da sala de suprimentos médicos, de onde Forssmann poderia obter os instrumentos cirúrgicos e a anestesia. Ditzen, empolgada com a novidade, aceitou participar do plano e se voluntariou para o experimento.

No dia combinado, os dois entraram na sala e Ditzen deitou na maca. Forssmann a preparou para a cirurgia e a amarrou no leito. Só que, quando ela não estava olhando, o médico aplicou a anestesia em seu próprio braço: ele não arriscaria testar o cateterismo em outra pessoa, portanto estava decidido a realizar o procedimento em si mesmo.

Fonte: Superinteressante

Leia também