Estudo da Nasa sobre bactéria que vive de arsênio é “despublicado” após 15 anos
Publicado em 21 de outubro de 2025 às 18:00
2 min de leituraEm 2010, um grupo de cientistas – incluindo alguns da Nasa – publicou um artigo na prestigiada revista Science que trazia uma conclusão impressionante. Os pesquisadores afirmavam ter identificado uma bactéria que conseguia viver em meio ao arsênio, uma substância altamente tóxica. Mas não só isso: este ser unicelular conseguiria aproveitar o veneno em suas funções biológicas, incorporando-o em estruturas de sua célula em substituição ao fósforo. Segundo o estudo, essa era uma forma de vida completamente diferente de todas as conhecidas, que poderia revolucionar a biologia.
Não demorou muito para que o artigo fosse criticado por outros cientistas, porém. Agora, 15 anos depois, a revista Science decidiu retratar, ou seja, "despublicar" o estudo. O periódico não acusa os pesquisadores de manipulação dos resultados ou fraude – motivos comuns para retratações –, mas decidiu remover a pesquisa por considerar que seus resultados não são sólidos o suficiente.
Para entendermos a história, voltemos a sua origem.
Coloca casaco, tira casaco
Em 2010, a equipe de cientistas coletou amostras do Lago Mono, na Califórnia, conhecido por sua altíssima salinidade e por ser extremamente alcalino. Eles não esperavam encontrar vida lá, mas encontraram: uma bactéria inédita, que foi batizada de GFAJ-1.
Ficou claro que a GFAJ-1 era um organismo chamado extremófilo, ou seja, capaz de existir em ambientes extremos. Isso porque a água do lago é lotada de arsênio, uma substância altamente tóxica para a vida. Mas, até aí, não havia nenhuma conclusão revolucionária: há outras formas de vida que prosperam em ambientes inóspitos.
A afirmação polêmica dos cientistas era outra. Acredita-se que alguns elementos são essenciais para todas as formas de vida: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e fósforo, por exemplo. São os bloquinhos de construção que dão origem ao DNA, às proteínas e gorduras necessárias para todos seres vivos. Mas, segundo os pesquisadores, a GFAJ-1 conseguia viver na ausência total de fósforo – e, para isso, ela substituia este ingrediente justamente pelo letal arsênio.
A equipe relatava que, em laboratório, a bactéria continuava crescendo e se reproduzindo mesmo sem fósforo por perto, usando o arsênio como substituto. Isso ficava evidente ao encontrar o arsênio em moléculas biológicas nos mesmos lugares onde se esperava encontrar o fósforo, como em partes do DNA bacteriano.
"O que descobrimos é um micróbio fazendo algo inédito – construir partes de si mesmo usando arsênio", disse Felisa Wolfe-Simon, cientista da Nasa, em uma declaração de 2010.
A conclusão era bombástica porque essa era a primeira "vida baseada em arsênio" identificada, e poderia revolucionar inclusive o campo da astrobiologia, que estuda a possibilidade de vida alienígena. Agora, cientistas poderiam procurar por um tipo de vida que nem se sabia ser possível. Na época, o anúncio foi, inclusive, uma grande campanha da Nasa, com direito a divulgação dos resultados numa coletiva de imprensa badalada.
Fonte: Superinteressante
Leia também
- Estudo revela que IAs desenvolvem “emoções” internas que as levam a mentir e trapacear
Quando um modelo de inteligência artificial responde “fico feliz em ajudar”, a maioria das pessoas interpreta isso como uma frase automática. Um novo estudo publicado pela equipe de interpretabilidade da Anthropic sugere que algo mais substancial acontece por dentro, não emoção no sentido humano, mas representações in…
💬 0 - Estudo revela que 82% das empresas falham em obter valor real com inteligência artificial
A inteligência artificial já faz parte do cotidiano de quase todos no âmbito privado, mas dentro das corporações, o cenário é de frustração. Um novo estudo da Accenture, intitulado “Talent Reinventors: Delivering Value with and For People“, aponta um dado alarmante: apenas 18% das empresas no mundo conseguem transform…
💬 0 - O paradoxo da IA: Estudo da Microsoft revela que chatbots ficam “mais burros” em conversas longas
Se você já usou ferramentas de Inteligência Artificial para programar um software do zero ou planejar um projeto gigantesco, provavelmente já notou um padrão irritante: nas primeiras mensagens, a máquina parece um gênio insuperável. Mas, após dezenas de interações e ajustes, ela começa a esquecer regras básicas, entra…
💬 0