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G.SKILL culpa IA pela alta da RAM, mas não diz quando preços vão parar de subir

Publicado em 18 de dezembro de 2025 às 15:00

3 min de leitura

A G.SKILL finalmente se pronunciou sobre o aumento agressivo nos preços das memórias DDR5 nos últimos meses. A fabricante taiwanesa confirmou o que muita gente já suspeitava: a alta está ligada à explosão de demanda por chips de memória DRAM usados em aplicações de inteligência artificial.

A declaração da empresa é curta e direta. Segundo a G.SKILL, o mercado global de DRAM está apertado. A oferta não acompanha o ritmo da procura, especialmente por parte de datacenters e fabricantes de hardware para IA. Com isso, os custos de aquisição de chips DRAM dispararam, e a empresa repassou o aumento para o consumidor final.

O que diz a G-Skill?

A nota oficial cita "restrições severas de fornecimento" e aponta a indústria de IA como motor principal da pressão. A empresa afirma que seus preços refletem os custos dos fornecedores de circuitos integrados (ICs) e que podem mudar sem aviso prévio, conforme o mercado oscilar.

O problema é que a G.SKILL não trouxe respostas para as perguntas que realmente importam: quando os preços devem estabilizar, se a empresa conseguiu garantir estoque para os próximos meses ou quanto do aumento é controlado por ela, e quanto vem de especulação no varejo.

A fabricante também não deu nenhuma projeção de alívio. Não há cronograma, nem intenção clara de segurar margens para proteger o consumidor. É basicamente um "é isso, se vira".

O panorama da crise

A situação da G.SKILL não é um caso isolado. Na verdade, é só a ponta de um iceberg que envolve toda a cadeia de produção de memória DRAM, e as projeções não são animadoras.

A SK hynix, segunda maior fabricante de DRAM do mundo, projeta que a escassez de memória RAM no mercado consumidor deve se estender até 2028, segundo documentos internos vazados online. A análise mostra que tanto a SK hynix quanto a Samsung realocaram linhas de produção para atender servidores de inteligência artificial e data centers, segmentos que oferecem margens de lucro bem maiores.

Em outubro, a SK hynix admitiu publicamente que seus chips HBM (High Bandwidth Memory), usadas em servidores de IA, estão vendidas até 2026. A empresa deixou claro que será difícil resolver a escassez antes do primeiro semestre de 2027. A Samsung, por sua vez, consegue atender apenas 70% dos pedidos de DRAM que recebe atualmente.

Mesmo com promessas de investir cerca de 30% da receita em expansão de capacidade em 2026, as fabricantes deixaram claro que essas medidas não serão suficientes para equilibrar o mercado. Fábricas novas de DRAM levam no mínimo dois anos para ficarem operacionais, e a expectativa é que capacidade adicional significativa só chegue entre o fim de 2027 e 2028.

A matemática é simples e cruel: a demanda por memória deve crescer 35% em 2026, enquanto a oferta aumentará apenas 23%, segundo projeções de analistas de mercado. A TrendForce, consultoria especializada em semicondutores, projeta alta de 30% nos preços até o fim de 2025 e mais 20% no primeiro semestre de 2026, o que representaria dobrar os valores praticados no início do ano.

Europa registra alta de 252% em três meses

Os números europeus ilustram bem o tamanho do problema. Segundo análise do site alemão ComputerBase, kits de memória RAM para desktops ficaram mais de três vezes mais caros em apenas três meses. O levantamento comparou preços entre meados de setembro e meados de dezembro deste ano. Resultado: alta média de 252% no período. Em valores práticos, um kit que custava €50 em setembro pode estar saindo por €175 agora.

O aumento não ficou restrito à RAM. SSDs registraram alta média de 42% no período analisado. Modelos de entrada com 1 TB de capacidade, que vinham caindo de preço nos últimos anos, agora se aproximam da marca de €100 na Europa. Até os discos rígidos tradicionais (HDs) subiram cerca de um terço em três meses.

Fonte: Hardware.com.br

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