Gaza: arqueólogos correm para resgatar milhares de artefatos de bombardeio
Publicado em 22 de setembro de 2025 às 19:00
2 min de leituraNo dia 14 de setembro, Israel bombardeou o edifício residencial al-Kawthar. O prédio de 13 andares ficava no bairro de Rimal, distrito mais rico de Gaza antes da investida israelense mais recente na Palestina, que vai completar dois anos em outubro.
No mesmo dia, Israel derrubou outros 15 edifícios. Pelo menos 35 palestinos morreram nos ataques.
No térreo do edifício al-Kawthar havia um depósito de artefatos antigos administrado pelo arqueólogo palestino Fadel al-Utol, que trabalha há 30 anos na região. Ele recebeu um aviso de que o exército israelense pretendia bombardear o prédio. A partir daí, coordenou a evacuação do armazém arqueológico. Tudo a distância – hoje em dia, Fadel mora a 3.000 quilômetros dali, na Suíça.
Milhares de mosaicos, cerâmicas, moedas e outros artefatos da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém, responsável por coordenar muitas das escavações arqueológicas em Gaza nas últimas décadas, foram retirados às pressas do prédio, como contou Fadel para a BBC.
Os itens armazenados no térreo do al-Kawthar vieram de cinco sítios arqueológicos diferentes, incluindo um dos monastérios cristãos mais antigos do Oriente Médio, o Mosteiro de Santo Hilarião. O nome é uma homenagem ao místico que levou o estilo de vida monástico para a Palestina no século 4.
Foi possível retirar 70% da coleção antes dos mísseis de Israel atingirem o prédio. Os 30% restantes, especialmente cerâmicas e artefatos com pedras preciosas, se perderam.
História e cultura em perigo
Depois dos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 contra civis israelenses, Israel começou uma retaliação contra os palestinos que, apesar dos clamores por um cessar-fogo da comunidade internacional, parece longe de acabar. Já são mais de 65 mil mortos em Gaza, segundo as autoridades de saúde do território palestino. Um terço dessas vítimas são crianças.
Dois dias depois do bombardeio do edifício al-Kawthar, uma comissão de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que Israel está cometendo um genocídio em Gaza. Afinal, junto ao território, há um grupo étnico específico sendo destruído: os palestinos.
Fonte: Superinteressante
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