
Kojima não quer abandonar a mídia física, e sua coleção de Blu-rays, DVDs, CDs e LPs deixa isso bem claro
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 14:26
6 min de leituraEnquanto filmes e séries migram cada vez mais para catálogos digitais, Hideo Kojima segue mantendo vivo seu apreço pela mídia física. O criador de Metal Gear e Death Stranding transformou parte de seu Instagram em uma espécie de estante pública, onde aparecem com frequência Blu-rays, discos 4K, box sets, steelbooks, CDs e outras edições físicas de filmes, séries e jogos.
A variedade é considerável. Há coleções de Star Trek, uma edição em 4K de Era uma Vez no Oeste, de Sergio Leone, o filme The Addiction (conhecido no Brasil como "O Vicio", de Abel Ferrara , Class of 1999 (A Guerra dos Donos do Amanhã), a minissérie Chernobyl, a trilogia The Dark Knight e títulos japoneses como Demon City Shinjuku. Em outras imagens, aparecem CDs, animações e até cartuchos de Game Boy Advance.
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Em julho de 2026, durante sua passagem pelo festival italiano Il Cinema in Piazza, Kojima falou diretamente sobre sua relação com os formatos físicos. Ao comentar o avanço da distribuição digital, ele lembrou que cresceu cercado por discos e afirmou: "Eu cresci com mídia física, então acho isso realmente triste." Em seguida, revelou um hábito que ajuda a explicar as numerosas fotos publicadas em seus perfis nas redes sociais "Atualmente, tenho comprado muitos Blu-rays […] e CDs também."
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A estante pública do Kojima
O que chama atenção nas fotos não é apenas a quantidade de filmes. Kojima mostra edições japonesas, coleções completas e edições cespeciais . As postagens também deixam claro que esse hábito não termina no cinema. CDs e jogos físicos aparecem. Uma das imagens mostra diferentes edições relacionadas a Boktai, série produzida por Kojima na época da Konami para o Game Boy Advance.
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Para Kojima, o problema do streaming é também o que acontece quando você deixa de possuir a obra
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A preferência pelos discos ganhou outra dimensão quando Kojima explicou seu receio com um futuro baseado exclusivamente em distribuição digital e streaming. Ao falar sobre o assunto em julho, ele diferenciou um jogo baixado para um dispositivo de uma obra transmitida diretamente de um servidor. No segundo caso, argumentou, o usuário depende permanentemente de quem mantém aquele serviço disponível.
Kojima comparou o streaming a uma torneira, o assinante paga para ter acesso ao fluxo de dados, mas não possui necessariamente uma cópia daquela obra. Mudanças comerciais, políticas ou de licenciamento podem fazer com que esse acesso seja interrompido.
Até no digital, Kojima parece não abrir mão da qualidade
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A preferência de Hideo Kojima por CDs, Blu-rays e outras mídias físicas não significa que o criador tenha abandonado os formatos digitais. Uma publicação de novembro de 2025 mostra justamente o contrário, embora com uma pequena ironia para os entusiastas de áudio.
Na ocasião, Kojima publicou um vídeo ouvindo "1979", do The Smashing Pumpkins, em um UWUplayer, aparelho portátil voltado à reprodução de áudio digital. Na tela, entretanto, é possível observar que a música utilizada por Kojima estava codificada em AAC a 320 kbps.
O AAC utiliza compressão com perdas, descartando parte das informações do áudio para reduzir o tamanho do arquivo. Formatos como FLAC, por outro lado, permitem compressão sem perdas e são justamente uma das opções procuradas por quem investe em equipamentos dedicados para reprodução de música, como um DAC desse.
Isso não significa que Kojima estivesse ouvindo música com "qualidade ruim". AAC a 320 kbps é uma configuração de alta qualidade para um codec com perdas, e distinguir uma boa codificação desse tipo de uma versão lossless pode ser bastante difícil em condições normais de audição.
O Cinema acompanha Hideo Kojima desde muito antes de Death Stranding
A relação de Hideo Kojima com o cinema é anterior em décadas a Death Stranding, e não se limita aos filmes que ele assiste. Já em 1997, quando tinha 33 anos, Kojima participou da aula inaugural da Konami School, em Kobe, com uma apresentação sobre como as ideias nascem. Fotos daquele encontro mostram um quadro branco que ajuda a entender seu processo criativo naquela época. Entre as anotações aparecem cinema, anime e literatura conectados em um mesmo diagrama, enquanto outra sequência organiza a construção narrativa a partir de cenário, conflito e cena inicial. A aula não estava centrada apenas em mecânicas de videogame, Kojima discutia como diferentes linguagens e referências poderiam ser absorvidas e transformadas pelo criador.
O detalhe ganha peso quando colocado na linha do tempo. A aula aconteceu em 1997, um ano antes da chegada de Metal Gear Solid ao primeiro PlayStation. O próprio conceito original de Metal Gear, uma década antes, também havia partido de uma referência cinematográfica. Kojima contou posteriormente que pensou em fazer um jogo de guerra baseado mais na fuga do que no combate e citou A Grande Fuga como uma das inspirações para essa ideia.
Essa relação continuou aparecendo publicamente nos anos seguintes. Em uma palestra organizada pela BAFTA em 2012, Kojima se definiu como um grande fã de cinema e afirmou que filmes e romances ajudaram a formar sua visão criativa desde jovem. Na ocasião, chegou a dizer que "75%" de sua existência era composta por filmes.
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Kojima ainda pensa em dirigir seu próprio filme
Kojima fala há anos sobre a vontade de trabalhar diretamente com cinema. Em 2016, disse ao GameSpot que gostaria de fazer um filme algum dia. "Sim, eu definitivamente gostaria de fazer um filme algum dia", afirmou. Ele acrescentou que também gostaria de escrever um romance caso tivesse tempo e explicou que esses trabalhos poderiam servir para alcançar outras pessoas e explorar caminhos diferentes daqueles de seus jogos.
A declaração é interessante porque veio em um momento de maior liberdade criativa para Kojima, após sua saída da Konami. Na mesma época, ele dizia estar evitando propostas para trabalhar com cinema justamente para concentrar seus esforços no desenvolvimento de Death Stranding. Em outra entrevista de 2016, afirmou que havia recebido "muitas ofertas" para fazer um filme desde que se tornou independente.
Em uma entrevista mais recente à GQ, publicada em 2025, Kojima falou sobre idade, projetos futuros e o tempo necessário para realizá-los. Ao comentar o que pretende fazer depois de Physint, seu novo jogo de ação e espionagem, ele afirmou que está pensando em dirigir um filme após terminar o projeto, justamente porque não quer deixar essa possibilidade para tarde demais. Não confunda com o filme de Death Stranding que está sendo desenvolvido com a A24. A adaptação live-action existe e tem participação da Kojima Productions, mas a direção é de Michael Sarnoski.
Se esse desejo finalmente sair do papel, Kojima poderá manifestar seu apreço pelo cinema não apenas através das fotos de sua generosa coleção, mas também assinando um longa capaz de influenciar e marcar outros amantes da sétima arte mundo afora.
Fonte: GameVicio
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