Lenovo anuncia aumento de preços nos seus produtos a partir de março
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 12:00
2 min de leituraSe acompanhou a nossa cobertura recente aqui no Hardware.com.br, já sabe que a febre incontrolável das Big Techs por servidores de Inteligência Artificial secou os estoques globais de memória RAM e NAND, diversas marcas estão reajustando preços, incluindo a Lenovo. A gigante chinesa e líder mundial na venda de PCs começou a notificar os seus clientes corporativos e parceiros varejistas na América do Norte sobre um novo reajuste geral de preços entrará em vigor já a partir de março. O motivo, sem surpresas, é o custo inflacionado dos componentes internos.
"Não tem outro jeito"
Em uma carta enviada aos canais de distribuição (obtida pelo portal CRN), o presidente da Lenovo para a América do Norte, Ryan McCurdy, foi direto ao ponto. "Nós absolutamente tivemos que ajustar [os preços] e continuaremos a ajustar. Não tem outro jeito", declarou o executivo.
A estratégia da Lenovo com o comunicado é gerar um senso de urgência para que as lojas e distribuidoras fechem as suas encomendas de máquinas ainda em fevereiro. A promessa oficial é honrar os preços atuais para os pedidos feitos agora, evitando um "choque" no caixa das parceiras. Contudo, as entrelinhas do contrato revelam uma pegadinha que está a enfurecer o mercado de revenda.
A polêmica cláusula de entrega
O comunicado da fabricante alerta que a política de preços é influenciada tanto pela data do pedido quanto pela data em que ele é completado.
Na prática, isso significa que se uma loja fizer uma encomenda hoje, mas a Lenovo só conseguir fabricar e entregar esses notebooks depois de 31 de março, o preço da encomenda poderá sofrer o reajuste mesmo assim. Um CEO de uma empresa parceira da Lenovo, que pediu anonimato, resumiu a frustração: "Eles estão a dizer: ‘vamos pegar a sua encomenda, mas talvez não possamos entregar a tempo, e se não pudermos, vamos mudar o preço’. Isso dá-lhes uma saída completa."
O impacto no consumidor final
Embora este seja um comunicado focado no mercado corporativo (B2B), a matemática do comércio não perdoa. Qualquer reajuste cobrado dos lojistas e distribuidores será fatalmente repassado para as prateleiras do varejo num prazo de poucas semanas.
Somando a crise global de fornecimento de memórias com os recentes aumentos da taxa de importação de eletrônicos no Brasil que noticiamos no sábado, o cenário para quem planejava comprar um notebook gamer ou corporativo novo em 2026 torna-se cada vez mais hostil. O conselho de ouro no momento é claro: se você achou uma boa promoção hoje, talvez não seja inteligente deixá-la para amanhã.
Fonte: Hardware.com.br
Leia também
- IA cria corrida por eletricistas nos EUA, e alguns já ganham até US$ 280 mil por ano

A expansão da inteligência artificial está criando uma demanda inesperada nos Estados Unidos: empresas precisam de centenas de milhares de eletricistas, encanadores, técnicos e outros profissionais especializados para construir a infraestrutura que mantém a IA funcionando. E algumas dessas vagas podem pagar salários c…
💬 0 - O mercado que a Intel abandonou nos anos 1980 voltou a ser estratégico na era da IA

Em 1985, a Intel enfrentava uma decisão que colocava sua história contra seu futuro. A empresa havia crescido fabricando memórias, mas perdia competitividade para fabricantes japoneses. O lucro líquido, de US$ 198 milhões em 1984, praticamente desapareceu no ano seguinte.
💬 0 - A Amazon decidiu vender seus chips Trainium para fora da AWS e competir com a NVIDIA

A Amazon está em negociações para vender seus aceleradores de IA Trainium a operadores externos de data centers, um movimento que coloca a empresa em competição direta com a NVIDIA no mercado de chips avulsos. Peter DeSantis, líder da divisão de IA, chips e computação quântica da Amazon desde janeiro de 2026, confirmo…
💬 0