
Má notícia para a Tesla: China vai proibir volantes em formato de manche a partir de 2027
Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 12:00
7 min de leituraO que parecia ser o futuro do design automotivo acaba de levar um freio de arrumação do maior mercado de carros do mundo. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) publicou o rascunho de um novo padrão de segurança obrigatório que, na prática, bane os volantes no estilo “yoke” (aqueles com formato de manche de avião, sem a parte superior) de todos os novos veículos no país a partir de 1º de janeiro de 2027.
Popularizado recentemente por modelos como o Tesla Model S Plaid, Lexus RZ e diversas marcas chinesas, o volante yoke sempre foi criticado pela falta de praticidade em manobras de baixa velocidade. No entanto, a proibição chinesa não tem a ver com conforto, mas sim com física de impacto e segurança de hardware.
A Falha na Geometria
A nova norma (GB 11557-202X) traz requisitos muito mais rígidos para a proteção do motorista contra o próprio mecanismo de direção durante uma colisão. E é aí que o yoke reprova instantaneamente:
• Testes de Impacto Impossíveis: A nova lei exige testes de impacto em 10 pontos específicos do aro do volante. Como os volantes “meia-lua” simplesmente não possuem a metade superior, esses pontos de teste críticos fisicamente não existem, tornando a homologação impossível.
• Perda da “Área de Amortecimento”: Dados apontam que 46% das lesões em motoristas vêm da coluna de direção. Um volante circular tradicional funciona como um grande “escudo” que amortece o corpo se o motorista for arremessado para frente. Com o yoke, o vão aberto na parte superior facilita que o corpo passe direto pelo aro, impactando violentamente o painel ou a coluna de direção.
• Estilhaços de Airbag: O formato irregular da cobertura central desses volantes gera padrões de ruptura imprevisíveis quando o airbag é acionado (uma explosão que ocorre em milissegundos). Reguladores notaram que a estrutura pode se fragmentar e arremessar peças plásticas no rosto do motorista.
Esta medida não é um caso isolado. O governo chinês tem apertado o cerco contra a tendência da indústria de colocar “forma acima da função”. Recentemente, o país também aprovou regras que banem maçanetas totalmente embutidas (que impedem o resgate em caso de acidentes com perda de energia) e estuda a obrigatoriedade da volta de botões físicos para funções essenciais, acabando com a dependência exclusiva das telas sensíveis ao toque.
Para as montadoras como Tesla e as gigantes locais chinesas, o recado é claro: o futuro da condução ainda precisa ser, antes de mais nada, seguro. Modelos já homologados com o volante yoke terão um período de transição de cerca de 13 meses após 2027 para se adaptarem à nova realidade circular.
A Tesla e o volante Yoke:
A trajetória do polêmico volante yoke da Tesla passou por mudanças significativas desde seu lançamento em 2021. Atualmente, o volante circular tradicional voltou a ser o padrão de fábrica para todos os Model S e Model X, enquanto o yoke se tornou opcional apenas nas versões de alta performance. Desde abril de 2023, a Tesla inverteu completamente sua estratégia inicial: o volante redondo agora vem de série em todos os modelos, sem custo adicional.
Para quem deseja o yoke, a situação varia conforme a versão. Para os Model S Plaid e Model X Plaid, o yoke está disponível como upgrade opcional por US$ 1.000. Já no caso das versões base e Long Range, o yoke foi descontinuado a partir de junho de 2025 e não está mais disponível nem como opção. Proprietários que já compraram veículos com yoke e desejam trocar para o volante redondo, a Tesla oferece um serviço de retrofit oficial. O custo varia entre US$ 700 a US$ 766,50 (dependendo da versão do sistema de buzina), com instalação incluída através do Tesla Service. A troca inversa, de volante redondo para yoke, custa US$ 1.100.
A aceitação do volante yoke entre os proprietários de Tesla é profundamente polarizada, com experiências que variam drasticamente dependendo do perfil do motorista e do tipo de uso.
Pesquisas recentes em comunidades de proprietários revelam que a maioria dos usuários que superam o período inicial de adaptação (geralmente de 3 a 5 dias ) relatam experiências positivas. Os principais pontos de satisfação incluem:
• Conforto ergonômico: Muitos motoristas reportam que a posição de mãos nas posições 9h e 3h reduz fadiga em viagens longas, com postura de pulso mais natural
• Sensação esportiva: O yoke proporciona uma experiência de direção que remete a carros de alto desempenho, tornando até trajetos cotidianos mais emocionantes
• Fluxo de ar melhorado: Benefício inesperado citado por usuários em climas quentes, a ausência da parte superior permite que o ar-condicionado atinja diretamente o motorista
No entanto, as críticas são significativas e consistentes. Avaliações profissionais, como a da MotorTrend, em 2022, concluíram que o yoke é “desnecessariamente irritante” para uso diário, sendo potencialmente aceitável apenas em “carros de fim de semana”. Os principais problemas apontados são:
• Manobras de baixa velocidade: Estacionamento, rotatórias e conversões em U exigem reposicionamento constante das mãos
• Instinto de alcançar o topo: Motoristas relatam que, mesmo após semanas de uso, ainda tentam instintivamente segurar a parte superior inexistente durante curvas acentuadas
• Coordenação motora: Usuários com menor coordenação mão-olho têm dificuldades maiores de adaptação
A Tesla não é a única
A Tesla pode ter popularizado o volante yoke no mercado de consumo, mas certamente não está sozinha nessa jornada controversa. O movimento ganhou força em 2025 e 2026, com fabricantes premium asiáticos e europeus apostando nessa tecnologia como diferencial de luxo e inovação, mesmo com os questionamentos sobre segurança que agora emergem da China.
A Lexus foi a segunda marca a entrar nesse território arriscado, apresentando seu sistema de volante yoke no lançamento do RZ450e, seu primeiro veículo elétrico. Porém, a divisão premium da Toyota aprendeu com os tropeços da Tesla e adotou uma abordagem radicalmente diferente: em vez de simplesmente cortar a parte superior de um volante convencional, a Lexus desenvolveu um sistema completo de direção eletrônica (steer-by-wire) que limita o movimento do yoke a apenas 300 graus, eliminando por completo a necessidade de movimentos mão-sobre-mão. O problema é que esse refinamento atrasou tudo, o RZ começou a ser vendido em 2023 com volante tradicional, e o yoke só chegou ao mercado em 2025, após dois anos de atrasos enquanto os engenheiros ajustavam a taxa de resposta variável para que não ficasse “nervosa” em alta velocidade.
Em 2026, a versão atualizada do Lexus RZ que chegará ao mercado em março, finalmente ganhará sua variante F Sport equipada com o yoke como item de série, representando a primeira implementação em larga escala dessa tecnologia fora da Tesla. Avaliações recentes mostram que motoristas ainda precisam de um período de adaptação de cerca de 50 quilômetros de direção, especialmente em rotatórias e conversões, mas o consenso é que o sistema da Lexus é consideravelmente mais refinado que o da Tesla, justamente pela integração com o steer-by-wire desde o início do projeto.
A Mercedes-Benz anunciou em abril de 2025 que entraria oficialmente nesse clube seleto, confirmando que lançará seu primeiro sistema de direção eletrônica acompanhado de um volante yoke em 2026. Embora a montadora alemã não tenha revelado oficialmente qual modelo inaugurará a tecnologia, protótipos camuflados do novo EQS elétrico foram flagrados com o sistema, sugerindo que será o sedã de luxo elétrico a abrir caminho. Markus Schäfer, membro do conselho de administração da Mercedes, defendeu que o steer-by-wire oferece “uma sensação de direção completamente nova” e facilita manobras urbanas ao eliminar a necessidade de reposicionar as mãos constantemente, além de liberar espaço no cockpit para melhor visualização do painel digital.
Além desses três gigantes, Tesla, Lexus e Mercedes, a Toyota (marca-mãe da Lexus) também está desenvolvendo sua própria versão do sistema através da Toyoda Gosei, que anunciou em maio de 2025 um volante compacto “similar ao manche de um avião” especificamente projetado para veículos de próxima geração. Outras marcas citadas nos círculos da indústria incluem General Motors e o conglomerado chinês Geely, embora detalhes específicos sobre modelos e prazos permaneçam em segredo
O timing dessas implementações agora ganha uma ironia particular: justamente quando Mercedes e Lexus finalmente refinaram seus sistemas yoke para o mercado de massa, a China, o maior mercado automotivo do mundo, decide banir completamente a tecnologia por questões de segurança a partir de 2027, colocando em xeque bilhões em investimentos de pesquisa e desenvolvimento dessas montadoras.
Fonte: Hardware.com.br
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