
Microbiologista explica porque não é uma boa ideia usar o mesmo par de meias mais de uma vez
Publicado em 17 de dezembro de 2025 às 14:00
3 min de leituraPrimrose Freestone é professora de microbiologia clínica na Universidade de Leicester. O texto abaixo foi publicado originalmente no site The Conversation
É bastante normal usar o mesmo par de jeans, um suéter ou até mesmo uma camiseta mais de uma vez. Mas e as suas meias?
Se você soubesse o que realmente vive nas suas meias depois de apenas um dia de uso, talvez pensasse duas vezes antes de fazer isso.
Nossos pés são o lar de uma floresta tropical microscópica de bactérias e fungos — normalmente contendo até 1.000 espécies diferentes de bactérias e fungos. O pé também tem uma variedade mais diversificada de fungos do que qualquer outra região do corpo humano.
A pele dos pés também contém uma das maiores quantidades de glândulas sudoríparas do corpo humano.
A maioria das bactérias e fungos dos pés prefere viver nas áreas quentes e úmidas entre os dedos, onde se alimentam dos nutrientes do suor e das células mortas da pele. Os resíduos produzidos por esses micróbios são a razão pela qual os pés, as meias e os sapatos podem ficar com mau cheiro.
Por exemplo, a bactéria Staphylococcal hominis produz um álcool a partir do suor que consome, que causa um cheiro de cebola podre. Já a Staphylococcus epidermis produz um composto com cheiro de queijo. A Corynebacterium, outro membro do microbioma dos pés, cria um ácido que é descrito como tendo um cheiro semelhante ao de uma cabra.
Quanto mais nossos pés suam, mais nutrientes ficam disponíveis para as bactérias dos pés se alimentarem e mais forte será o odor. Como as meias podem reter o suor, isso cria um ambiente ainda mais ideal para as bactérias produtoras de odor. E essas bactérias podem sobreviver no tecido por meses. Por exemplo, as bactérias podem sobreviver no algodão por até 90 dias. Portanto, se você voltar a usar meias sujas, estará apenas permitindo que mais bactérias cresçam e se multipliquem.
Os tipos de micróbios que residem nas suas meias não são apenas aqueles que normalmente habitam o microbioma dos pés. Eles também incluem micróbios que vêm do ambiente ao redor — como o chão da sua casa ou da academia, ou até mesmo o solo externo.
Em um estudo que analisou o conteúdo microbiano de roupas que haviam sido usadas apenas uma vez, as meias apresentaram a maior contagem microbiana em comparação com outros tipos de roupas. As meias tinham entre 8 e 9 milhões de bactérias por amostra, enquanto as camisetas tinham apenas cerca de 83.000 bactérias por amostra.
O perfil das espécies das meias mostra que elas abrigam tanto bactérias inofensivas da pele quanto potenciais patógenos, como Aspergillus, Candida e Cryptococcus, que podem causar infecções respiratórias e intestinais.
Os micróbios que vivem nas suas meias também podem se transferir para qualquer superfície com a qual entrem em contato, incluindo seus sapatos, cama, sofá ou chão. Isso significa que meias sujas podem espalhar o fungo que causa o pé de atleta, uma infecção contagiosa que afeta a pele dos dedos dos pés e ao redor deles.
Fonte: Superinteressante
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