Mineração de asteroides é possível? Estudo aponta vantagens e obstáculos
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 08:00
2 min de leituraDurante os últimos anos, a mineração de asteroides foi tratada como um dos próximos grandes saltos da economia espacial. A ideia envolve explorar esses corpos diretamente no espaço, em objetos rochosos que orbitam próximos ao planeta.
Com a entrada de empresas privadas no setor espacial e a redução gradual dos custos de lançamento de foguetes, agências e companhias passaram a considerar com mais seriedade a possibilidade de enviar sondas para extrair água e metais.
O entusiasmo, porém, esfriou. Iniciativas fracassaram, a tecnologia mostrou-se mais complexa do que o previsto e o setor voltou sua atenção para objetivos considerados mais imediatos, como missões lunares.
Ainda assim, a ideia nunca foi abandonada. Um novo estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, busca entender quão viável é, de fato, minerar asteroides.
A pesquisa foi liderada por cientistas do Instituto de Ciências Espaciais (ICE-CSIC), na Espanha, e se concentrou nos chamados asteroides do tipo C, ou carbonáceos. Esses corpos representam cerca de 75% dos asteroides conhecidos e são considerados remanescentes pouco alterados da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos.
São também os que deram origem aos condritos carbonáceos, um tipo raro de meteorito – fragmentos de asteroides que caem naturalmente na Terra – que corresponde a apenas 5% das quedas registradas.
Diferentemente dos asteroides, que permanecem no espaço, os meteoritos permitem aos cientistas estudar esse material sem a necessidade de missões espaciais.
Esses meteoritos são valiosos justamente por sua fragilidade. Ricos em compostos de carbono, água incorporada em minerais e elementos químicos primitivos, eles preservam características muito próximas das dos asteroides originais.
Ao mesmo tempo, essa fragilidade faz com que se fragmentem facilmente ao atravessar a atmosfera terrestre, o que explica por que raramente são recuperados intactos.
A maior parte das amostras conhecidas foi encontrada em regiões extremas, como desertos do Saara e da Antártica, onde a escassez de umidade e de atividade biológica reduz reações químicas e retarda a degradação do material ao longo do tempo.
Para o estudo, os pesquisadores selecionaram e caracterizaram diferentes condritos carbonáceos e os submeteram a análises detalhadas por espectrometria de massa, técnica capaz de identificar com precisão os elementos químicos presentes em um material. As medições foram conduzidas na Universidade de Castilla-La Mancha, sob coordenação do professor Jacinto Alonso-Azcárate.
Fonte: Superinteressante
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