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Muitos fabricantes de eletrônicos fecharão as portas até o final de 2026 devido à escassez de memória, prevê CEO da Phison Electronics
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Muitos fabricantes de eletrônicos fecharão as portas até o final de 2026 devido à escassez de memória, prevê CEO da Phison Electronics

Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 12:27

2 min de leitura

K.S. Pua, CEO e fundador da Phison Electronics, a gigante responsável pelos controladores de SSD que equipam boa parte do mercado mundial, emitiu um alerta gravíssimo: a crise atual pode varrer do mapa diversos fabricantes de eletrônicos até o final deste ano. Em entrevista recente, o executivo desenhou um cenário de “darwinismo tecnológico” brutal, onde apenas as empresas com cofres cheios conseguirão comprar peças para montar seus produtos.

O salto de US$ 1,50 para US$ 20

Para ilustrar a gravidade da situação, Pua citou o exemplo dos módulos eMMC (memória flash usada em celulares baratos, centrais multimídia de carros e dispositivos IoT). Segundo ele, um módulo que custava cerca de US$ 1,50 no início de 2025 agora é negociado por US$ 20. No setor automotivo, a situação é ainda pior, com componentes chegando a US$ 30.

Esse aumento exponencial de mais de 1000% destrói a margem de lucro de qualquer fabricante de gadgets de entrada. A memória, que antes era uma fração pequena do custo, agora representa mais de 20% do valor total de produção (BOM) de um smartphone.

“Pagamento antecipado de 3 anos”

A declaração mais assustadora do CEO, no entanto, foi sobre as regras do jogo impostas pelas fornecedoras de DRAM e NAND (como Samsung, SK Hynix e Micron). Devido ao desequilíbrio entre oferta e demanda, essas empresas estão exigindo pagamento antecipado de até três anos para garantir a entrega dos lotes de memória.

Gigantes como Apple e Dell podem bancar isso. Mas fabricantes menores de periféricos, celulares intermediários e eletrodomésticos inteligentes não têm capital de giro para travar dinheiro por três anos. O resultado? “Muitas empresas simplesmente não vão sobreviver a esse período e podem encerrar suas atividades”, cravou o CEO.

O impacto da IA

O motivo para essa escassez agressiva é matemático. O mercado de servidores de IA está sugando toda a produção mundial. Pua exemplificou com a próxima geração de chips da NVIDIA (arquitetura Rubin): cada chip desses exige, em média, um SSD de classe empresarial com 20 TB de capacidade.

Se a NVIDIA vender 10 milhões desses chips, 20% de toda a produção global de memória NAND será consumida apenas por uma única empresa, para um único produto. O que sobra para os outros 80% do mercado (nós, consumidores de PCs, consoles e celulares) é a escassez e preços inflacionados.

A previsão da Phison é que a venda de smartphones caia entre 200 a 250 milhões de unidades em 2026, forçando o consumidor a adotar a cultura do reparo: consertar o velho porque o novo estará caro demais ou simplesmente indisponível.

Fonte: Hardware.com.br

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