Pular para o conteúdo
Tecnologia
nada
que
parece
ser
tecnologia

Nada é o que parece ser (ou é)

Publicado em 18 de dezembro de 2025 às 18:00

3 min de leitura

Antes de mais nada, preciso deixar claro que todas as nossas capas são feitas com muitas mãos (e mentes). Nenhuma imagem que você vê por aqui tem um processo singular – e isso é umas das coisas que fazem as imagens da Super serem tão legais de desenvolver.

Em algumas edições, a sacada genial vem de uma única pessoa, geralmente do time de design. Em outras, fazemos uma reunião com todos da revista para pensarmos no conceito juntos.

Há, por fim, casos em que precisamos ampliar ainda mais esse processo: diferentes profissionais com diferentes expertises são convidados para produzir diferentes etapas de uma única imagem. Esse é um desses casos.

Depois de receber a pauta e pesquisar sobre o assunto, decidi criar uma releitura da última capa sobre o mesmo tema (ed. 395, de outubro de 2018). Sempre gosto de me esforçar ativamente para honrar a memória da Super, ao mesmo tempo em que modernizamos a revista. Sinto que é um easter egg que só eu, outros diretores de arte que já passaram pela Super e fãs longínquos e muito dedicados vão sacar, mas acredito que esse cuidado vale a pena por causa desse elo secreto e silencioso que existe entre nós.

Na edição de 2018, a criação da Bruna Sanches consiste em uma escultura de coelho de pelúcia remendado, com destaque para um dos olhos pendurado por apenas uma linha.

Tudo na imagem dá a entender que ela é apenas a foto de um ursinho de pelúcia, e não uma escultura dura feita à mão e que pode enganar o leitor à primeira vista. Fascinante, não?

Escultura Rodrigo Didier/Foto Dulla/Superinteressante

Sem perceber, usei o mesmo recurso agora: uma fotografia de uma escultura de balões que pode parecer uma criação meramente digital, mas que foi feita do zero.

Hora(s) do show

O primeiro passo foi aprovar com o editor-chefe e a repórter da matéria de capa a minha ideia: um coelho feito de bexigas prestes a ser perfurado pela agulha de uma seringa. A escolha por usar objetos reais não foi à toa: queria me divertir com o processo e testar técnicas que não são tão fáceis de aplicar no dia a dia de uma publicação mensal.

Nesse início, eu tinha apenas uma ideia, um dinheirinho e um sonho. Literalmente. Não tinha certeza se daria certo, mas estava mais do que determinada a tentar.

Comecei com o bom e velho "faça você mesmo" que eu e todo brasileiro adoramos. Minha estagiária Rafaela Reis (valeu, Rafa! <3) me ajudou a selecionar tutoriais do TikTok de coelhos em balão. Fizemos uma curadoria dos menos infantis e, nessa, encontramos um russo que ensinava um único modelo que se encaixa nos critérios. Daí, parti pra compra dos materiais e coloquei a mão na massa.

Achando que poderia sobreviver de esculturas em balão caso desse tudo errado na minha vida, achei errado. Descobri no processo que o tamanho do balão canudo que é vendido do Brasil é diferente dos do querido russo que estava me ensinando e, mesmo tentando ajustar proporções, entendi que não seria possível chegar no mesmo resultado.

Fonte: Superinteressante

Leia também