
O pioneiro da telefonia móvel: o aparelho que antecipou o futuro em 1976
Publicado em 3 de outubro de 2025 às 11:35
3 min de leituraEm outubro de 1976, o estúdio do programa infantil Blue Peter, da BBC, recebeu um visitante inusitado. Não era uma celebridade, mas sim uma caixa preta do tamanho de um estojo. À primeira vista parecia apenas mais um equipamento de TV, mas na prática escondia uma revolução: um telefone capaz de sair andando com o usuário.
Até então, os telefones móveis eram privilégio de executivos endinheirados que podiam pagar por sistemas enormes instalados dentro do carro. Eles ocupavam espaço no painel, exigiam antenas fixas e até a ajuda de uma telefonista para completar cada ligação. Naquele dia, diante das câmeras, três apresentadores mostraram ao público que a lógica poderia ser diferente. Pela primeira vez, um aparelho prometia libertar o telefone do carro e levá-lo para onde a pessoa estivesse.
Como funcionava o “telefone no estojo”
Construído pela empresa Plessey Telecommunications, o aparelho pesava quase cinco quilos e rodava sobre o sistema de rádio veicular do Reino Unido. O design era curioso: para ligar, era preciso abrir a tampa do estojo e revelar um teclado numérico simples, ao lado de um fone preso por um fio em espiral. Uma antena retrátil, que subia como uma vara de pescar, completava a experiência.
O segredo estava na engenharia. Pela primeira vez, transmissor, receptor e até uma bateria recarregável de níquel-cádmio foram miniaturizados e encaixados dentro de uma caixa relativamente compacta. A comunicação acontecia em frequências VHF, em torno de 80 MHz, conectando o aparelho a estações de base espalhadas por rodovias e áreas centrais. Desempenhava bem nas grandes cidades e nas estradas, mas bastava se afastar para que os buracos de sinal surgissem. Ainda assim, tratava-se de um salto comparado aos sistemas fixos embarcados nos veículos.
O contexto: do radiotelefone ao portátil
A tentativa britânica não surgiu do nada. A ideia de falar ao telefone sem fio já era testada desde os anos 1950, quando o General Post Office, equivalente aos Correios, lançou os primeiros radiotelefones em Londres e Manchester. Esses equipamentos, porém, eram desajeitados: ocupavam quase todo o espaço sob o painel do carro e dependiam de uma telefonista para intermediar a ligação.
Nos anos 1970, o chamado System 3 já havia simplificado parte dessa operação, oferecendo mais canais e sinalização automática. Isso eliminava a necessidade de pedir à telefonista que completasse cada chamada. O passo seguinte seria óbvio: reduzir ainda mais o tamanho dos equipamentos até o ponto em que pudessem ser carregados nas mãos. Foi exatamente isso que a Plessey tentou entregar.
O preço da inovação
Apesar da ambição, o experimento estava longe do alcance das famílias comuns. A instalação custava centenas de libras, e cada minuto falado saía por cerca de 20 centavos, um valor altíssimo para a época. Além disso, a cobertura irregular limitava o uso a rotas movimentadas e zonas centrais, deixando os subúrbios praticamente sem acesso. Na prática, o aparelho se tornava apenas mais um privilégio de executivos e empresários.
Meio século depois, revisitar esse protótipo é uma forma de entender como a inovação acontece. Esse aparelho da Plessey jamais alcançou o mercado de massa, mas plantou uma ideia irresistível: a de que o telefone não precisava estar preso a uma parede ou a um automóvel.
Fonte: Hardware.com.br
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