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O que é a teoria do maior tolo?

Publicado em 26 de dezembro de 2025 às 10:05

3 min de leitura

Imagine que uma marca lance uma caneca nova. O produto rapidamente começa a ficar famoso. O hype pode ter vários vetores: reportagens na imprensa, um vídeo viral nas redes sociais, o apoio de uma celebridade e até uma campanha de marketing bem pensada. O que importa é que a caneca ganha popularidade, começa a vender bem e o burburinho se espalha.

Mais e mais pessoas começam a querer a caneca, o que causa problemas de estoque e faz o preço subir. A indisponibilidade colabora para o hype: agora que o produto é mais inacessível, ainda mais pessoas querem. E o preço só aumenta.

Se você compra a caneca só porque gosta dela e pretende usá-la para tomar café, tudo certo. Mas muita gente aproveita esse tipo de repercussão para fazer especulação financeira: compram em massa na esperança de que, com o tempo, o produto fique mais e mais caro, de modo que possam vender seus exemplares por um preço maior e embolsar o lucro.

Só que a caneca continua sendo só uma caneca: assim como qualquer objeto, ela tem um valor intrínseco. Se ela começa custando R$ 30 e, depois do hype, está custando R$ 300, isso não significa que o produto ganhou R$ 270 em valor magicamente. Só significa que a especulação fez seu trabalho: quem comprou por R$ 30 agora pode vender por R$ 300 e se dar bem.

A teoria do maior tolo ("greater fool theory", em inglês) é justamente a suposição de que você pode especular com essa esperança: comprar alguma coisa por um preço menor com a perspectiva de vender por um preço inflacionado.

No caso, você já é um "tolo", pois está comprando por mais do que vale (a não ser que chegue logo no começo). Mas a aposta é que exista um tolo maior, disposto a comprar de você por um preço ainda mais caro. E, assim, é possível escalar a operação, com um tolo menor comprando mais barato e vendendo mais caro para um tolo maior, sequencialmente, com o produto em questão ficando cada vez mais supervalorizado.

O problema é que, uma hora, as pessoas caem na real: o hype vai embora, a bolha estoura e o preço desaba. E aí, o último tolo se consagra como o "maior", tendo pagado caro por um produto que não conseguirá mais vender por valor igual ou maior, apenas menor. A teoria desaba porque já não existe um "maior tolo" disposto a pagar mais caro.

Não é preciso ir longe para achar exemplos da teoria na prática. Recentemente, a febre do Labubu viu o preço do boneco disparar de US$ 29 para US$ 3.000, apenas para despencar logo em seguida, desesperando quem comprou para revender. Alguns anos atrás, a moda dos NFTs (imagens digitais com certificado de exclusividade) foi classificada por Bill Gates, fundador da Microsoft, como "100% baseada na teoria do maior tolo".

No mercado de ações

A grande questão é que, quando falamos de teoria do maior tolo, não estamos nos referindo a produtos como canecas ou bonecos. Essa teoria geralmente está associada ao mercado de ações e ao hype em torno de novas empresas, que acabam atraindo muitos investidores.

O funcionamento é bem simples: uma nova empresa surge propondo algo novo e disruptivo e atrai a atenção do mercado. Investidores pioneiros compram ações na esperança de que a empresa vire um sucesso. A alta nos valores atrai a atenção de mais investidores, que compram mais ações. Todos querem a mesma coisa: uma alta valorização para que possam lucrar com a revenda.

Fonte: Superinteressante

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