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Observatório Vera Rubin identifica asteroide gigante com rotação recorde para seu tamanho

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 19:00

2 min de leitura

Um asteroide maior que a maioria dos arranha-céus acaba de entrar para os livros de recordes da astronomia. Batizado de 2025 MN45, ele tem cerca de 710 metros de diâmetro e completa uma rotação inteira em apenas 113 segundos.

Isso equivale a pouco menos de dois minutos para girar sobre o próprio eixo. Nunca antes um asteroide com mais de meio quilômetro de diâmetro havia sido observado girando tão rápido.

A descoberta foi feita a partir das primeiras imagens do Observatório Vera Rubin, um dos projetos científicos mais ambiciosos da atualidade. O estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, é também o primeiro artigo científico revisado por pares baseado em dados da câmera LSST, a maior câmera digital já construída.

O achado chama atenção não apenas pelo ineditismo, mas pelo que revela sobre a estrutura interna dos asteroides e sobre os processos que moldaram o Sistema Solar primitivo há bilhões de anos.

Asteroides são grandes blocos de rocha e metal que orbitam o Sol. Muitos deles são remanescentes diretos da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos, antes que planetas e luas se consolidassem. Por isso, funcionam como cápsulas do tempo cósmicas. Ao estudar suas propriedades físicas, como tamanho, órbita e velocidade de rotação, os astrônomos conseguem reconstruir parte dessa história.

A rotação, em especial, é um dado importante. À medida que orbitam o Sol, os asteroides também giram em torno de si mesmos, mas não todos na mesma velocidade. Essa taxa depende de fatores como colisões passadas, composição interna e formato do objeto. Em muitos casos, uma rotação rápida é indício de que o astro sofreu um impacto violento no passado, capaz de alterar seu movimento ou fragmentar um corpo maior.

O problema é que girar rápido demais pode ser fatal para um asteroide. A maioria deles é formada pelo que os cientistas chamam de "aglomerados de entulho" ou "pilhas de escombros": conjuntos de pedaços menores de rocha e detritos, mantidos juntos principalmente pela gravidade.

Esses corpos têm pouca resistência interna. Se girarem rápido demais, a força centrífuga supera a atração gravitacional, e o asteroide se despedaça.

No cinturão principal de asteroides, localizado entre Marte e Júpiter, esse limite crítico é bem conhecido. Objetos que levam menos de 2,2 horas para completar uma rotação só conseguem se manter intactos se forem estruturalmente muito resistentes. A maioria não é.

É aí que o 2025 MN45 se torna extraordinário. Ele não apenas ultrapassa esse limite como o faz de forma extrema. Com quase dois minutos por rotação e um diâmetro superior a 500 metros, o asteroide desafia os modelos mais comuns sobre a estrutura desses corpos.

"Claramente, este asteroide deve ser feito de um material com altíssima resistência para se manter íntegro enquanto gira tão rapidamente", afirmou Sarah Greenstreet, astrônoma assistente do NSF NOIRLab e autora principal do estudo, em comunicado. Segundo ela, os cálculos indicam que o objeto precisaria ter uma força coesiva comparável à de uma rocha sólida.

Fonte: Superinteressante

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