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Patinho Feio: a história do primeiro computador brasileiro

Publicado em 16 de dezembro de 2025 às 14:08

2 min de leitura

Texto Luiza Lopes | Design e fotos Juliana Krauss | Edição Rafael Battaglia

A manhã de 24 de julho de 1972 começou atípica nos corredores da Escola Politécnica da USP. Professores e alunos da engenharia elétrica se apressavam para reorganizar uma sala de aula. Tiraram carteiras, desmontaram o tablado e estenderam um tapete emprestado da diretoria para esconder o piso gasto.

Do lado de fora, autoridades começavam a chegar. O então governador de São Paulo, Laudo Natel, o reitor da USP, Miguel Reale, e o bispo Dom Ernesto de Paula compunham a pequena comitiva que testemunharia um marco: a exibição pública do Patinho Feio, o primeiro computador construído no País.

Pouco antes do início da demonstração, a cena foi interrompida de forma abrupta. Um repórter, ao tentar fotografar a máquina de perto, inclinou-se além do necessário, tropeçou em um dos cabos e desligou o computador diante de todos.

O silêncio que se seguiu denunciou o tamanho do problema. Naquele equipamento, nada permanecia salvo. Diferentemente dos computadores de hoje, que mantêm arquivos mesmo quando desligados, o Patinho Feio perdia tudo assim que a energia caía. Como cada instrução havia sido carregada manualmente para a apresentação, todo o conteúdo desapareceu no mesmo instante.

A solução teve de ser construída ali mesmo. Um dos estudantes começou a repetir para o colega, ponto a ponto, as instruções preparadas. Diante do painel, outro aluno reintroduziu cada etapa manualmente, usando os pequenos interruptores da máquina.

Só então o computador pôde ser religado. O material da demonstração foi colocado no equipamento de impressão, e a máquina respondeu com o desenho de um pato feito de vários "X", seguido da frase que se tornaria emblemática: "Eu sou o Patinho Feio".

Primeiros passos

O Patinho Feio surgiu num momento em que os computadores, mesmo ainda restritos a grandes instituições, já sinalizavam uma mudança radical na forma como a sociedade funcionava. "Dava para sentir que era um ponto de inflexão do caminhar da existência humana", afirma José Sidnei Colombo Martini, professor titular da Poli e um dos criadores da máquina.

Para o Brasil, entender essa transformação e participar ativamente dela era fundamental.

A necessidade de inovação coincidiu com as políticas protecionistas do regime militar, que passou a enxergar a informática como uma frente essencial em seu plano para o País. Computadores já eram usados em áreas como defesa e comunicação, e o governo temia depender apenas de máquinas importadas. Se tudo continuasse vindo de fora, o Brasil não aprenderia a projetar seus próprios sistemas e ficaria vulnerável a qualquer mudança no mercado externo.

O protecionismo militar se apoiava em duas frentes. A primeira era fortalecer universidades em temas como eletrônica digital e arquitetura de computadores. A segunda era a reserva de mercado, que restringia a entrada de equipamentos estrangeiros e forçava empresas nacionais a produzir seus próprios modelos.

Fonte: Superinteressante

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