Por que não existem vacinas contra fungos?
Publicado em 25 de setembro de 2025 às 12:00
2 min de leituraPor um misto de razões científicas e econômicas.
Diferentemente de bactérias (para as quais há várias vacinas, como a BCG), fungos são seres eucariontes – têm células com núcleo definido, envolto por uma membrana. Trata-se de uma estrutura complexa e parecida com a de células humanas – e isso dificulta a criação de imunizantes eficazes
Além disso, infecções por fungos são muito mais comuns em pessoas com o sistema imunológico comprometido – que nem sempre podem tomar vacinas, já que mesmo versões atenuadas do patógeno poderiam causar infecções. E mesmo as que são elegíveis para o imunizante podem não desenvolver resistência, já que seus sistemas de defesa são menos eficazes.
Mas o principal motivo é que, historicamente, infecções fúngicas não são consideradas uma ameaça à saúde pública tão grande quanto as bactérias e os vírus – e por isso há pouco investimento em desenvolvimento e testagem de novas vacinas. Várias doenças que afetam humanos são causadas por fungos, como candidíase, mas, em pessoas saudáveis, a maioria dos casos é controlável com medicamentos antifúngicos.
Tanto que já há vários protótipos de vacinas anti-fungos criadas e testadas em animais, mas que ainda não avançaram para os testes clínicos com humanos (que são caros e demorados).
Nos últimos anos, porém, o cenário vem mudando. Assim como as bactérias desenvolvem resistência a antibióticos, muitos fungos estão ficando cada vez mais difíceis de se enfrentar com os medicamentos atuais, e o interesse em outras estratégias está aumentando. Em 2022, a OMS publicou uma lista de 19 fungos que representam uma ameaça para a saúde pública e pediu mais pesquisas e intervenções na área.
Talvez o fungo mais ameaçador atualmente seja o Candida auris, identificado pela primeira vez na Ásia em 2010 e que, desde então, já se espalhou pelo mundo. Ele afeta principalmente pessoas internadas em hospitais, causa infecção generalizada e é extremamente resistente aos remédios atuais. Por sorte, ainda não é tão comum (no Brasil, houve 114 casos confirmados até abril de 2025). Há vacinas testadas em animais contra ele.
Pergunta de @markshilda, via Instagram
AS MAIS LIDAS DA SEMANA
Fonte: Superinteressante
Leia também
- “Você não está louca”: ChatGPT alimenta delírio sobre irmão morto e leva jovem à internação
O ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial generativa estão no centro de um preocupante caso clínico que acendeu um alerta entre especialistas em saúde mental. Uma profissional da área de saúde, de 26 anos, precisou ser internada em uma instituição psiquiátrica na Califórnia após desenvolver um episódio…
💬 0 - Lenacapavir, a melhor arma contra o HIV
Texto Bruno Carbinatto Ilustração Felipe Del Rio Design Caroline Aranha Edição Rafael Battaglia
💬 0 - “Agricultura consome 70% da água doce.” Não é bem assim…
O que a notícia dizia:
💬 0