Rejeição à IA generativa dispara entre desenvolvedores de games, aponta pesquisa da GDC
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 16:45
2 min de leituraA pesquisa anual de desenvolvedores da GDC revelou uma mudança significativa na percepção sobre IA generativa no setor de games. O levantamento, que será apresentado durante a conferência em San Francisco em março, mostra que 52% dos profissionais agora consideram que esta tecnologia está tendo um impacto negativo na indústria – um aumento alarmante comparado aos 18% de dois anos atrás.
A pesquisa, que contou com mais de 2.300 respondentes, identificou que 33% dos desenvolvedores utilizam alguma forma de IA generativa em seu trabalho, número que se manteve relativamente estável desde 2021 (31%). Em contraste, apenas 7% dos participantes acreditam que estas ferramentas são benéficas para o setor, representando uma queda em relação aos 13% do ano anterior.
Como esperado, a rejeição é mais forte entre artistas, designers, escritores e programadores – justamente os profissionais cujas funções são frequentemente apontadas como potencialmente substituíveis por IA. Por outro lado, a adoção da tecnologia mostra uma clara divisão hierárquica nos estúdios.
"A seção de negócios lideram o uso com 58% de adoção, superando significativamente outras áreas. A alta gerência (47%) utiliza ferramentas de IA muito mais que funcionários de níveis inferiores (29%). Diretores de estúdio (36%) situam-se entre estes dois grupos", destaca o relatório.
Quanto às aplicações mais comuns, 81% utilizam IA para pesquisa e brainstorming, 47% para tarefas administrativas como responder emails, 47% para auxílio em codificação e 35% para prototipagem. A geração direta de assets para jogos ainda não representa a maioria dos casos de uso.
As opiniões anônimas coletadas no estudo revelam a polarização do tema. Um defensor da tecnologia classificou as críticas como "pânico moral", enquanto outro afirmou estar "intencionalmente trabalhando em uma plataforma que deixará todos os desenvolvedores de jogos sem emprego, permitindo que crianças criem seu próprio conteúdo".
Do lado oposto, um supervisor de design de jogos baseado no Reino Unido foi categórico: "Prefiro sair da indústria a usar IA generativa". Outro consultor de design americano fez uma comparação cinematográfica: "Nossa regra permanente é: se um de nós sugerir usar IA generativa em nosso trabalho, é seguro assumir que fomos assimilados por ‘A Coisa’ e devemos ser queimados vivos por Kurt Russell".
Fonte: GameVicio
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