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Relembre a conturbada chegada do Blu-ray ao Brasil (e os preços exorbitantes)

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 14:20

3 min de leitura

O Blu-ray desembarcou de fato no Brasil em 2007, com o player Samsung BD-P1200 custando cerca de R$ 3.999 e exigindo TVs de alta definição que passavam fácil dos R$ 8.000. Entre guerra com o HD DVD, poucos títulos nacionais e fabricação local só em 2009, o formato virou objeto de desejo de nicho, não de massa.

Antes do Blu-ray: Brasil ainda "treinando" para a alta definição

Ao olhar para o mercado em 2006, quando o Blu-ray foi anunciado, o Brasil ainda estava dando os primeiros passos em alta definição, com TV digital prometida "para o fim do ano" e HDTV tratada como novidade cara em vitrines de shopping. Em janeiro de 2007 já era possível comprar TVs LCD ou plasma de 42 polegadas por cerca de R$ 3.500, enquanto modelos de ponta chegavam a R$ 39.999 em 52 polegadas Full HD da Sony. A maioria das telas vinha com selo HDTV ou "HDTV ready", mas quase não havia conteúdo em alta definição disponível no país, o que transformava essas TVs em exibidoras de DVD em baixa resolução esticada.

Em 2006, o Hi-Fi Show em São Paulo já ensaiava o futuro ao colocar lado a lado demonstrações de HD DVD pela Semp Toshiba e Blu-ray pela Samsung, mas sem qualquer previsão oficial de lançamento para o consumidor brasileiro. O evento ainda era território de entusiastas, e a guerra de formatos parecia distante da sala de estar comum, com a própria organização admitindo que quem decidiria o vencedor seriam os grandes estúdios de cinema

HD DVD chega primeiro

Em fevereiro de 2007, a nova geração de DVD estreou no Brasil pela Semp Toshiba, com o primeiro player HD DVD a R$ 2.999 e foco em conexão direta à TV. Naquele momento, a Sony já vendia drive de Blu-ray no país, mas apenas para PCs, sem ainda um tocador de mesa voltado para a sala de estar. Na prática, quem quisesse alta definição em casa no começo de 2007 entrava no mundo HD DVD, mesmo com a guerra de formatos ainda em aberto e o fantasma Betamax x VHS pairando sobre a escolha.

A virada simbólica acontece em março de 2007, quando o Blu-ray chegou ao Brasil em forma de player de mesa com o Samsung BD-P1200, custando R$ 4.999.

A experiência Blu-ray no Brasil: qualidade absurda, catálogo frustrante

Ao longo de 2007, a experiência prática de usar Blu-ray no Brasil misturava demonstração de showroom com frustração de catálogo raso. Este teste da época da Folha de S.Paulo com o BD-P1200 destacava o salto de qualidade em relação ao DVD: As cores são reproduzidas com enorme nitidez, enquanto o brilho ajuda a conferir uma boa luminosidade. Detalhes como a textura de algumas superfícies são exibidos com uma fidelidade impressionante.

A capacidade de 25 GB (single layer) ou 50 GB (dual layer) por disco, contra 4,7 GB de um DVD comum, permitia mais dados de vídeo e áudio, convertidos em imagem mais limpa e som mais rico.

Diferente da lenda popular de que "Blu-ray sempre foi completo desde o início", os primeiros títulos testados no Brasil, como "xXx" e "Stealth", não ofereciam vários recursos prometidos pela especificação, sem ângulos alternativos de câmera, sem busca avançada por cenas ou atores, e com menus mais tímidos do que o marketing vendia.

Em compensação, recursos de navegação como avanço em múltiplas velocidades, câmera lenta quadro a quadro e marcação de trechos favoritos já mostravam que a experiência de uso ia além do DVD tradicional, embora ainda atingisse só quem topava investir em hardware muito caro.

Guerra global: o protagonismo do Blu-ray

Na Europa, o movimento era ainda mais explícito: até novembro de 2007, o Blu-ray já respondia por 73% de todas as vendas de discos de alta definição, com mais de 1 milhão de unidades vendidas e vantagem clara sobre o HD DVD. Esses números, somados ao apoio exclusivo de gigantes como Sony, Disney e Fox, acabariam se refletindo nas decisões de licenciamento e catálogo.

Fonte: Hardware.com.br

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