
Usuários jovens no Instagram: Zuckerberg revela que muitos mentem a idade
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 11:17
3 min de leituraMark Zuckerberg, CEO da Meta, reconheceu em tribunal que muitos usuários jovens no Instagram falsificam suas idades para acessar a plataforma, mesmo com a política oficial exigindo idade mínima de 13 anos. A revelação ocorreu durante seu depoimento em um processo judicial em Los Angeles, onde uma jovem de 20 anos alega que a rede social contribuiu para seus problemas de ansiedade, depressão e distúrbios de imagem corporal.
O caso, que começou no final de janeiro no Tribunal Superior de Los Angeles, busca determinar se o Instagram foi um “fator substancial” nos problemas de saúde mental enfrentados pela autora do processo, identificada como KGM. Além do Instagram, outras plataformas como Snapchat, TikTok e YouTube também são mencionadas na ação judicial.
Durante a audiência, documentos internos da Meta foram apresentados, revelando uma estimativa alarmante: aproximadamente 4 milhões de crianças menores de 13 anos utilizavam o Instagram em 2025, contrariando diretamente os termos de uso da plataforma. Quando questionado sobre essa discrepância, Zuckerberg admitiu a existência do problema.
“Há um conjunto de pessoas que mentem sobre a idade para usar os serviços”, declarou o executivo. O advogado da autora, Mark Lainer, aproveitou a oportunidade para fazer um questionamento direto: “Você espera que uma criança de nove anos leia termos e condições?”.
Em resposta, o CEO argumentou que a empresa implementou melhorias nos sistemas de proteção ao longo do tempo. “Nós evoluímos para adicionar muito mais controles”, afirmou Zuckerberg, destacando que a Meta remove contas quando identifica informações falsas sobre idade. Ele reconheceu, no entanto, que nem sempre é possível detectar todos os usuários jovens no Instagram que burlam as restrições.
Quando confrontado com um documento interno que mencionava oportunidades para explorar comportamentos digitais de crianças entre 8 e 12 anos, Zuckerberg defendeu as intenções da empresa: “Você está insinuando que não estávamos tentando trabalhar nisso, e isso não é verdade”. Segundo ele, a Meta tem desenvolvido ferramentas específicas para identificar contas falsas.
O advogado de KGM também argumentou sobre ética empresarial, afirmando que “uma empresa razoável não deveria tentar ganhar dinheiro às custas dos desfavorecidos“. Zuckerberg rebateu: “Acho que uma empresa razoável deve tentar ajudar as pessoas que usam seus serviços”.
Sobre as antigas métricas internas que priorizavam aumentar o tempo de uso do aplicativo, o executivo afirmou que a Meta mudou sua abordagem: “Se algo é valioso, as pessoas vão usá-lo mais porque é útil para elas”. Ele negou que a empresa otimize seus produtos apenas para maximizar o tempo de permanência dos usuários.
Em comunicado oficial, a Meta defendeu-se alegando que o júri deve avaliar se o Instagram foi realmente um fator decisivo nos problemas de KGM. A empresa afirmou que “as evidências mostrarão que ela enfrentava muitos desafios significativos antes mesmo de usar redes sociais”.
Na semana anterior ao depoimento de Zuckerberg, Adam Mosseri, diretor do Instagram, já havia reconhecido em juízo que o uso da plataforma pode ser “problemático”, embora tenha argumentado que isso não equivale necessariamente a uma dependência clínica. Ao comentar sobre um caso de uso de 16 horas em um único dia, Mosseri admitiu: “Isso soa como uso problemático”.
Em um momento inusitado durante a sessão, a juíza interrompeu os trabalhos para advertir pessoas na galeria que estavam usando óculos inteligentes capazes de gravar o depoimento. Segundo reportagens, várias pessoas do círculo de Zuckerberg foram vistas usando os smart glasses desenvolvidos pela Meta em parceria com a Ray-Ban.
“Isso é muito sério”, enfatizou a magistrada, alertando que quem insistisse em usar os dispositivos poderia ser considerado em desacato ao tribunal, já que gravações não são permitidas na sala de audiência.
O julgamento é considerado um caso emblemático envolvendo plataformas digitais e suas responsabilidades quanto à segurança online, especialmente para usuários jovens no Instagram e outras redes sociais.
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Fonte: Hardware.com.br
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