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Vietnã aprova lei que obriga YouTube a permitir pular anúncios em 5 segundos
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Vietnã aprova lei que obriga YouTube a permitir pular anúncios em 5 segundos

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 12:00

3 min de leitura

Resumo rápido!

A partir de 15 de fevereiro de 2026, plataformas digitais no Vietnã não poderão exibir anúncios em vídeo por mais de 5 segundos sem opção de pular. A nova regulamentação atinge YouTube, TikTok, Facebook e outras gigantes, prometendo acabar com anúncios intermináveis que irritam usuários — mas ameaça desmoronar a equação financeira que sustenta criadores de conteúdo.

O decreto que pode mudar o jogo global

O governo vietnamita estabeleceu requisitos rígidos para garantir que qualquer conteúdo promocional possa ser ignorado após 5 segundos máximos. A lei também proíbe pop-ups e banners que forçam usuários a esperar antes de fechar, mirando diretamente nas táticas mais agressivas de monetização digital. Plataformas como YouTube, Facebook e TikTok precisarão modificar sistemas de publicidade especificamente para o mercado vietnamita — uma adaptação técnica não trivial.

A intenção oficial, segundo o governo, é proteger o público de práticas publicitárias abusivas. Na prática, a medida representa resposta direta à escalada de anúncios cada vez mais longos e invasivos que plataformas implementaram nos últimos anos. O YouTube, por exemplo, introduziu propagandas de 30 segundos não puláveis em aplicativos de TV em 2023, com interrupções a cada quatro minutos em vídeos longos.

Como funciona o modelo atual do YouTube

Para entender o impacto, é preciso dissecar a economia dos anúncios digitais. O YouTube opera com múltiplos formatos: anúncios pre-roll (antes do vídeo), mid-roll (durante), anúncios puláveis após 5 segundos, não puláveis que exigem visualização completa, e banners sobrepostos durante reprodução. Cada formato tem valor de mercado diferente — anúncios não puláveis pagam significativamente mais porque garantem visualização integral

Se o Vietnã impõe limite máximo de 5 segundos para anúncios não puláveis, o valor pago por anunciantes despenca. Anunciantes pagam mais justamente pela garantia de atenção forçada, removendo essa garantia, campanhas perdem efetividade percebida e orçamentos migram para outros formatos ou plataformas.

Efeito dominó: criadores no meio do fogo cruzado

A equação financeira não afeta apenas plataformas, criadores de conteúdo dependem diretamente da receita de anúncios. Se anunciantes pagam menos por anúncios de 5 segundos puláveis, o repasse para criadores também cai. Canais que sobrevivem exclusivamente de monetização do YouTube no Vietnã podem ver receitas despencar 30-50%, forçando migração para outras fontes (patrocínios diretos, assinaturas, merchandising)

O YouTube já enfrenta batalha contra bloqueadores de anúncios globalmente, intensificando mensagens que interrompem reprodução até que adblocks sejam desativados. A plataforma argumenta que “anúncios apoiam um ecossistema diversificado de criadores em todo o mundo” e que usar bloqueadores viola termos de serviço. A ironia é que a regulamentação vietnamita força o YouTube a implementar nacionalmente o que bloqueadores fazem ilegalmente — limitar exposição publicitária agressiva.

Reação da indústria e possíveis brechas

Especialistas em publicidade digital preveem que anunciantes simplesmente aumentarão frequência de anúncios para compensar redução de duração. Se antes exibiam um anúncio de 30 segundos, agora exibirão seis anúncios de 5 segundos em sequência — tecnicamente em compliance com a lei, mas potencialmente ainda mais irritante para usuários. A legislação vietnamita não especifica limites de quantidade, apenas duração individual e requisito de pular.

Outra brecha envolve patrocínios integrados ao conteúdo. A lei regula anúncios servidos pela plataforma, mas não menciona product placement ou segmentos patrocinados produzidos pelo próprio criador. Marcas podem migrar orçamentos para esse modelo, onde o “anúncio” é parte inseparável do vídeo — impossível de pular sem perder conteúdo.

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Fonte: Hardware.com.br

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