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A batalha entre países produtores de petróleo e produtores de eletricidade

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 14:07

2 min de leitura

*Jennifer Morgan é associada sênior do Center for International Environment and Resource Policy and Climate Policy Lab, da Universidade Tufts. O texto a seguir é do site The Conversation.

Há dois anos, países de todo o mundo estabeleceram a meta de "fazer a transição dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos de maneira justa, ordenada e equitativa". O plano incluía triplicar a capacidade de energia renovável e duplicar os ganhos de eficiência energética que estão aquecendo o planeta.

O mundo está progredindo: mais de 90% da nova capacidade energética adicionada em 2024 veio de fontes de energia renováveis, e 2025 viu um crescimento semelhante.

Mas a produção de combustíveis fósseis também continua em expansão. E os Estados Unidos, o maior produtor de petróleo e gás natural do mundo, agora pressiona agressivamente países para que continuem comprando e queimando combustíveis fósseis.

A transição energética não deveria ser o tema principal quando os líderes mundiais e negociadores se reuniram na Cúpula do Clima das Nações Unidas de 2025, a COP30, em novembro, em Belém, Brasil. Mas ela ocupou o centro das discussões do início ao fim, chamando a atenção para o debate geopolítico real sobre energia em andamento e os riscos em jogo.

O presidente Lula iniciou a conferência pedindo a criação de um "mapa do caminho" formal, essencialmente um processo estratégico no qual os países poderiam participar para "superar a dependência dos combustíveis fósseis". Isso levaria das palavras para a ação uma decisão global de fazer a transição dos combustíveis fósseis.

Mais de 80 países disseram que apoiaram a ideia, desde pequenas nações insulares vulneráveis como Vanuatu, que estão perdendo terras e vidas devido à elevação do nível do mar e tempestades mais intensas, até países como o Quênia, que vêem oportunidades de negócios na energia limpa, e a Austrália, um país grande produtor de combustíveis fósseis.

A oposição, liderada pelos países produtores de petróleo e gás do Grupo Árabe, impediu qualquer menção a um plano de transição energética do tipo "mapa do caminho" no acordo final da conferência climática, mas os defensores da proposta continuam avançando.

Eu estava em Belém para a COP30 e acompanho de perto os desenvolvimentos como ex-enviada especial para o clima, chefe da delegação da Alemanha e integrante sênior da Fletcher School da Tufts University. A disputa sobre se deveria ou não haver um mapa do caminho mostra o quanto os países que dependem de combustíveis fósseis estão trabalhando para retardar a transição energética, e como outros estão se posicionando para se beneficiar do crescimento das energias renováveis. E essa é uma área importante a ser observada em 2026.

Batalha entre ‘eletroestados’ e ‘petroestados’

O diplomata brasileiro e presidente da COP30 André Aranha Corrêa do Lago se comprometeu a liderar um esforço em 2026 para criar dois "mapas do caminho": um para deter e reverter o desmatamento e outro para a transição dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos de maneira justa, ordenada e equitativa.

Fonte: Superinteressante

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