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Biofobia: por que algumas pessoas odeiam o contato com a natureza?

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 12:00

3 min de leitura

Johan Kjellberg Jensen é pesquisador visitante de ciências ambientais da Universidade de Lund (Suécia). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por cientistas. Vale conferir.

Somos constantemente lembrados de que passar tempo na natureza é bom para o corpo e para a mente. Um grande número de pesquisas mostra vários benefícios para a saúde decorrentes do contato com a natureza, que vão desde a redução do estresse até a melhora do sistema imune e mesmo do desempenho acadêmico de crianças.

Mas nem todos estão obtendo esses benefícios. Algumas pessoas sentem medo, aversão ou repulsa por animais e pela natureza. O fenômeno, chamado biofobia, tem sido um pouco negligenciado nos estudos sobre as relações entre o ser humano e a natureza. Isso significa que o problema é mal compreendido: não está claro exatamente sua causa, nem qual a melhor forma de tratá-lo. Além disso, há sinais de que está se disseminando.

Em meu novo estudo com colegas, buscamos esclarecer a biofobia, delineando uma estrutura conceitual de relações negativas com a natureza que pode ser aplicada em várias disciplinas científicas – e revisando sistematicamente todos os estudos que foram feitos sobre o tema até agora.

O oposto da biofobia é chamado de biofilia, uma afinidade inata com a natureza. Ambos os termos têm origem na psicologia evolutiva, que originalmente enquadrou as respostas positivas e negativas à natureza como mecanismos adaptativos a recursos e ameaças.

Hoje, a biofobia se refere mais amplamente à aversão à natureza, levando a relações negativas com o mundo natural. Essas relações negativas podem assumir muitas formas, mas reduzem significativamente os benefícios à saúde associados à natureza, além de prejudicar os esforços de conservação do meio ambiente. Sendo assim, é importante compreender toda a gama de relações entre o ser humano e a natureza – da afinidade à aversão.

No total, encontramos 196 estudos sobre biofobia. Eles estavam espalhados por todo o mundo, com algum viés em direção aos países ocidentais. Embora muito menos numerosos do que os estudos sobre relações positivas entre o ser humano e a natureza, observamos um rápido crescimento do interesse neste tema.

Esses estudos também estavam espalhados por uma ampla variedade de campos de pesquisa, incluindo conservação, ciências sociais e psicologia. Uma de nossas principais conclusões foi que existem fortes divisões entre os campos, com vieses claros em termos de qual parte da natureza é estudada.

Múltiplas causas

Descobrimos que a biofobia é causada por múltiplos fatores. Geralmente, eles podem ser divididos em fatores externos e internos. Os fatores externos incluem o nosso ambiente físico, como a nossa exposição a diferentes espécies. As atitudes sociais são outro fator externo e podem incluir narrativas da mídia sobre a natureza — pense em como o filme Tubarão, por exemplo, criou um medo generalizado de tubarões.

Os fatores internos, por outro lado, abrangem traços pessoais. Estes incluem o conhecimento e a idade, que podem mediar os nossos sentimentos em relação à natureza. Por exemplo, ter um bom conhecimento das espécies e compreender como a natureza funciona reduz o risco de relações negativas com a natureza. Em contrapartida, sentir-se fraco ou com má saúde está correlacionado com um maior medo dos grandes carnívoros.

Mas é importante observar que esses fatores podem interagir e se entrelaçar de maneiras complexas. As atitudes, interações e comportamentos em relação à natureza também são afetados pela própria biofobia. Por exemplo, indivíduos biofóbicos podem evitar áreas onde acreditam que existem espécies de animais que temem. E isso pode levar a um maior apoio ao abate de animais como lobos, ursos e tubarões.

Animais normalmente vistos como ameaças — cobras, aranhas e carnívoros — são bem estudados. Mas a biofobia também pode ser direcionada a espécies inofensivas ou mesmo benéficas para ter em nossa proximidade como, por exemplo, espécies nativas de sapos.

Fonte: Superinteressante

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