Brasileiros agora usam IA mais para estudar do que para diversão, revela pesquisa
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 13:50
3 min de leituraO perfil de uso de inteligência artificial no Brasil mudou: pela primeira vez, aprendizado e trabalho superam diversão como principais aplicações. Pesquisa global encomendada pelo Google mostra que 79% dos usuários brasileiros agora usam chatbots para estudar ou adquirir novas habilidades, enquanto entretenimento recuou 9 pontos percentuais em um ano.
Dados da edição 2025 da pesquisa "Our Life with AI", conduzida pela Ipsos em 21 países, revelam uma virada no comportamento dos brasileiros com ferramentas de IA generativa. O levantamento, que ouviu mil adultos conectados no país entre setembro e outubro do ano passado, registra pela primeira vez o aprendizado como categoria dominante — algo que não acontecia nas edições anteriores, quando entretenimento liderava com folga.
A mudança é numérica e clara: o uso para "aprender algo novo" saltou para 79%, enquanto entretenimento caiu de 83% (dado de 2024) para 74%. Trabalho (75%) e geração de conteúdo de mídia (72%) também ultrapassaram a diversão. O dado sugere que a fase exploratória — aquela de testar o que a IA faz por curiosidade — está dando lugar a aplicações práticas e orientadas a resultados.
Educação lidera a percepção de utilidade
O setor educacional concentra o otimismo mais forte. Segundo o estudo, 82% dos brasileiros acreditam que estudantes serão beneficiados pela tecnologia. Entre quem efetivamente usa IA para estudar, a mesma proporção (82%) relata impacto positivo concreto na forma de aprender. É o maior índice de satisfação declarada entre todas as categorias mapeadas.
A empresa por trás da pesquisa, o Google, tem interesse comercial direto: oferece ferramentas como Gemini e outras soluções de IA integradas a serviços educacionais. Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, afirma que "o brasileiro acredita que a tecnologia pode ajudar a criar mais oportunidades para a sociedade" e destaca que a IA está sendo usada "para estudar melhor, trabalhar com mais eficiência e resolver problemas complexos do cotidiano."
Trabalho e rotina doméstica na mira
O ambiente profissional aparece logo atrás da educação: 75% dos usuários brasileiros aplicam IA em tarefas de trabalho. Mas a tecnologia também invadiu a cozinha e o planejamento familiar. Pouco mais da metade dos entrevistados (56%) já usa chatbots para gerenciar compras de supermercado, planejar refeições ou organizar viagens. É uma mudança de patamar: o que era experimentação virou ferramenta de organização pessoal.
O Brasil segue acima da média global. Enquanto 71% dos adultos conectados no país afirmam ter usado algum chatbot de IA, a média mundial fica em 62%. O crescimento local foi de 25% em relação à primeira edição da pesquisa, realizada em 2023. A diferença sugere que o mercado brasileiro está entre os mais receptivos à tecnologia, mas também levanta questões sobre alfabetização digital e acesso desigual — aspectos que o levantamento não aprofunda.
Expectativas sobre governo e setor privado
A pesquisa também mapeou expectativas sobre o papel institucional. Segundo os dados, 62% dos entrevistados avaliam que o país está agindo para garantir que a economia brasileira colha benefícios da IA. Há forte demanda por colaboração: 71% querem ver governos e empresas trabalhando juntos na aplicação da tecnologia em serviços públicos, e 69% esperam o mesmo para segurança cibernética.
Esses números refletem otimismo, mas não detalham quais ações concretas os entrevistados consideram adequadas. A margem de erro da amostra brasileira é de ±3,8 pontos percentuais, o que significa que os percentuais podem variar dentro dessa faixa. A metodologia online também tende a capturar um público mais conectado e familiarizado com tecnologia, o que pode inflar a percepção de adoção generalizada.
O levantamento global ouviu 21 mil pessoas entre 22 de setembro e 10 de outubro de 2025. No Brasil, foram mil adultos acima de 18 anos, entrevistados online, garantindo representatividade nacional dentro do universo conectado.
Fonte: Hardware.com.br
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