
Cofundador do Google foge da Califórnia antes do imposto sobre bilionários entrar em vigor
Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 12:30
3 min de leituraResumo rápido!
O cofundador do Google está transferindo estruturas empresariais para a Flórida enquanto a Califórnia debate taxa de 5% sobre patrimônios bilionários. Para Larry Page, isso significaria conta de mais de US$ 12 bilhões. Ele não está sozinho — bilionários do Vale do Silício articulam êxodo fiscal que pode esvaziar a maior concentração de riqueza tecnológica dos EUA.
A “Billionaire Tax” que ameaça o Vale do Silício
A Califórnia abriga 45 das 500 pessoas mais ricas dos Estados Unidos, concentração alimentada por décadas de sucesso das Big Techs e unicórnios do Vale do Silício. Mas proposta de imposto estadual sobre fortunas, apelidada de “Billionaire Tax”, ameaça provocar revoada de endinheirados para estados sem tributação sobre renda, como Flórida e Texas.
A taxa proposta incide 5% sobre patrimônios acima de determinado patamar, com estimativa de arrecadar US$ 100 bilhões segundo o sindicato proponente. Para Larry Page, cujo patrimônio estimado ultrapassa US$ 258 bilhões (sendo um dos homens mais ricos do planeta), a conta chegaria a mais de US$ 12 bilhões. Mesmo para alguém dessa estratosfera financeira, não é valor desprezível — especialmente quando existe alternativa legal de simplesmente mudar de endereço.
O planejamento fiscal já começou
Page, residente há anos em Palo Alto — coração do Vale do Silício — registrou em dezembro de 2025 três sociedades de responsabilidade limitada (LLCs) na Flórida. Embora o cofundador do Google não tenha se pronunciado publicamente sobre mudança iminente, o movimento corporativo segue playbook clássico de planejamento tributário: estabelecer presença legal em jurisdição favorável antes de transferir ativos ou mudar residência fiscal.
Peter Thiel, fundador de PayPal e Palantir, já confirmou fechamento de escritório em Los Angeles e abertura em Miami. Com patrimônio superior a US$ 26 bilhões e residência em Hollywood Hills, Thiel transferiu domicílio eleitoral para a Flórida em 2024 e possui imóvel em Miami Beach desde 2020 — preparação de anos para esse momento.
O êxodo dos US$ 500 bilhões
Investidor e empresário Chamath Palihapitiya afirmou no X conhecer pessoas com “patrimônio coletivo de US$ 500 bilhões” que deixaram a Califórnia antes do final de 2025, antecipando a tributação. Se esse número estiver correto, representa aproximadamente 10% de todo o patrimônio bilionário estimado do estado — migração de capital sem precedentes na história californiana
A Flórida se tornou destino preferencial por razões óbvias: zero imposto estadual sobre renda, clima agradável, infraestrutura consolidada em Miami e crescente ecossistema tech. Texas oferece vantagens similares, mas Miami especificamente atraiu bilionários da Costa Oeste por manter estilo de vida cosmopolita comparável a São Francisco ou Los Angeles — algo que Houston ou Austin ainda não replicam completamente.
Os que ficam, os que vão e o custo real
A proposta prevê que cerca de 90% dos recursos arrecadados sejam destinados a saúde, com parcelas menores para auxílio-alimentação e educação. Em teoria, fortalecer infraestrutura pública beneficia todos — incluindo bilionários que dependem de força de trabalho educada e saudável. Mas a lógica coletiva esbarra em incentivos individuais: por que pagar US$ 12 bilhões quando posso legalmente pagar zero mudando para Miami?
Jensen Huang, CEO da Nvidia, representa um contraponto. Mesmo com patrimônio de US$ 155 bilhões e conta potencial de US$ 8 bilhões, ele permanece e aceita pagar. Sua justificativa — talento disponível no Vale do Silício supera benefícios fiscais — expõe tensão central: a Califórnia oferece ecossistema inigualável de inovação, mas esse ecossistema depende de investimento público financiado por… impostos que bilionários querem evitar.
Incertezas legislativas e riscos do êxodo
Especialistas alertam que a estimativa de US$ 100 bilhões em arrecadação é “altamente incerta”. Se número significativo de bilionários migra antes da implementação, a receita real pode ser fração do projetado — transformando política bem-intencionada em tiro no pé fiscal. Pior, o êxodo não afeta apenas arrecadação direta: bilionários trazem empregos, investimentos, doações filantrópicas e dinamismo econômico que Califórnia perderia
Fonte: Hardware.com.br
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