
Google enfrenta novas acusações de monopólio em anúncios digitais nos EUA
Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 12:00
3 min de leituraO Google está sob nova pressão nos Estados Unidos, onde três importantes grupos de mídia moveram ações judiciais coordenadas contra a empresa, acusando-a de práticas anticompetitivas. As companhias alegam que o Google monopoliza anúncios digitais através de práticas que violam leis antitruste americanas, prejudicando todo o ecossistema jornalístico e reduzindo drasticamente suas receitas.
A Vox Media (responsável por veículos como The Verge e New York Magazine), The Atlantic e a Penske Media (dona da Rolling Stone, Billboard e Variety) uniram forças nesta ofensiva legal que surge logo após uma significativa vitória do Departamento de Justiça dos EUA. Recentemente, um tribunal federal reconheceu que a gigante de tecnologia mantém controle monopolístico ilegal sobre servidores de anúncios e bolsas de publicidade digital.
Segundo os grupos editoriais, o controle exercido pelo Google sobre o mercado de anúncios online reduziu artificialmente os preços dos espaços publicitários, desviando receitas essenciais que sustentariam operações jornalísticas para os cofres da big tech. A Vox Media chegou a afirmar que, sem a presença dominante do Google, poderia oferecer impressões de maior qualidade e investir mais no que classifica como jornalismo premium.
As ações judiciais descrevem em detalhes como o Google teria vinculado estrategicamente suas ferramentas de compra e venda de publicidade digital, criando um ecossistema fechado que praticamente impossibilita a entrada e permanência de concorrentes. A juíza Leonie Brinkema já havia determinado, no início de 2025, que a empresa efetivamente amarrou seus produtos de maneira ilegal, criando barreiras significativas para que editores pudessem trocar de fornecedores de tecnologia publicitária.
Lauren Starke, diretora de comunicações da Vox Media, declarou que o objetivo do processo é buscar compensação financeira e encerrar “práticas enganosas e manipuladoras” que privaram a empresa de receitas legítimas por mais de uma década. Já Anna Bross, do The Atlantic, reforçou que a ação visa estabelecer condições mais equilibradas para os setores de publicação e publicidade.
Em resposta às acusações, Jackie Berté, porta-voz do Google, classificou as alegações como infundadas, defendendo que os produtos da empresa são amplamente utilizados por serem “eficazes, acessíveis e intuitivos”.
No Brasil, o debate sobre o domínio do Google no mercado publicitário também avança. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) mantém investigações sobre práticas semelhantes da empresa no país, com processo que tramita desde 2019 e ganhou novo fôlego em 2025.
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) argumenta que o Google coleta dados massivos de navegação e comportamento dos usuários, utilizando essas informações para tornar sua oferta publicitária significativamente mais segmentada e rentável que qualquer concorrente poderia oferecer. A entidade também aponta que recursos como o “Zero-Click” (respostas diretas na busca) e os recentes resumos gerados por Inteligência Artificial agravam a dependência do ecossistema de mídia.
Segundo a ANJ, ao manter usuários dentro de seu ecossistema, o Google impede que leitores acessem diretamente os sites jornalísticos, reduzindo tanto o tráfego quanto as possibilidades de monetização dos veículos brasileiros.
O inquérito no Cade foi recentemente reaberto para incorporar contribuições técnicas da sociedade civil, especialmente considerando o impacto das novas ferramentas de inteligência artificial no ecossistema de mídia e publicidade digital.
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Fonte: Hardware.com.br
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