Pular para o conteúdo
Games
como
árvore
mais
isolada
planeta
morreu

Como a árvore mais isolada do planeta morreu atingida por um caminhão

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 08:15

3 min de leitura

O Teneré é uma vasta região do deserto do Saara, localizada principalmente no nordeste do Níger, estendendo-se até áreas do Chade e da Líbia. O nome vem do tuaregue (língua de um povo seminômade do deserto) e significa algo como "terra deserta" ou "onde não há nada", o que descreve bem a região. Trata-se de um dos lugares mais secos e inóspitos do planeta: dunas a perder de vista por quilômetros e quilômetros.

Apesar do risco, por muitos séculos, o Teneré serviu de rota para as caravanas transaarianas, procissões que atravessavam o deserto, indo do norte da África até a África subsaariana e vice-versa. Essas caravanas começaram ali entre os séculos 3 e 5 d.C., com a domesticação dos camelos, e duraram até o século 19, substituídas pelo transporte marítimo.

Por aproximadamente 300 anos dessa história, uma única árvore presenciou a passagem dessas caravanas: uma acácia da espécie Vachellia tortilis. Trata-se de uma planta comum no Sahel, a região de transição entre as savanas úmidas africanas e o deserto do Saara.

Historicamente, o deserto do Saara alterna ciclos secos com ciclos mais úmidos (ambas as fases durando dezenas de milhares de anos), então é possível que essa planta, assim como o conjunto de árvores que havia ao redor dela, era, de alguma forma, um resquício desse último ciclo úmido. As demais acácias foram morrendo — o que é compreensível, já que não há chuva. Esta árvore, entretanto, conseguiu sobreviver.

Na década de 1930, um poço foi escavado perto da árvore e descobriu-se um lençol freático a pouco mais de 30 metros de profundidade. As raízes da acácia haviam alcançado esse lençol, garantindo a umidade que a planta precisava.

E assim a árvore foi vivendo, servindo de referência para os viajantes e nunca sendo perturbada por eles. Ganhou o apelido de Árvore Solitária do Teneré, pela falta de companheiras ao redor. Em um trajeto de 800 km de areia e cascalho, sua presença era o maior sinal de vida. Todos a respeitavam.

Existia até um aspecto sobrenatural na árvore. Segundo um relato de 1957, havia uma lenda de que um caravanista havia morrido próximo à árvore, e que seu espírito podia ser ouvido à noite chamando seus animais.

Veja um depoimento de Michel Lesourd, Comandante da Missão Militar Aliada em 1939, sobre a árvore:

"É preciso ver a Árvore para crer em sua existência. Qual é o seu segredo? Como pode ela ainda estar viva apesar das multidões de camelos que a pisoteiam? Como, em cada azalai [caravanas que transportam sal pelo Teneré], um camelo perdido não come suas folhas e espinhos? A única resposta é que a árvore é tabu e assim considerada pelos caravaneiros.

Existe uma espécie de superstição, uma ordem tribal que é sempre respeitada. Todos os anos, os azalai se reúnem ao redor da Árvore antes de enfrentar a travessia do Ténéré. A Acácia se tornou um farol vivo."

E é possível que, se ela tivesse sido deixada em paz, ainda estaria em pé hoje.

Fonte: Superinteressante

Leia também