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Consumo de cafeína por grávidas: a exposição precoce realmente provoca alterações metabólicas nos bebês?

Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 19:00

3 min de leitura

Patrícia Cristina Lisboa é professora titular de Fisiologia; Egberto Gaspar Moura é professor titular de Fisiologia e Fisiopatologia Endócrina e Luana Lopes de Souza é professora adjunta de Fisiologia e Fisiopatologia Endócrina, todos na UERJ. Este artigo foi republicado do site The Conversation. Leia o artigo original.

No Brasil, poucas tradições são tão arraigadas quanto começar o dia com um café quente e aromático. Para muitos, a bebida não é apenas um ritual matinal: é companhia constante ao longo do dia, aparecendo em várias xícaras sucessivas ou em outras formas de cafeína. Muitas fontes de cafeína estão presentes em nossa dieta, como café, chá e refrigerantes, além de chocolate, alguns medicamentos e suplementos alimentares.

Segundo vários estudos, aproximadamente 90% dos adultos relatam consumo regular de cafeína, com uma ingestão diária média de 227 mg nos EUA; 219 mg na Nova Zelândia; 102 mg na Ásia; uma variação de 23 a 362 mg na Europa; e de 171 a 238 mg no Brasil, sendo o café a fonte mais popular.

O consumo moderado de café apresenta benefícios à saúde, como menor risco de doença de Parkinson, doença de Alzheimer e diabetes tipo 2. Além disso, a cafeína possui vários outros efeitos como psicoestimulantes, ações antioxidantes e anti-inflamatórias e propriedades ergogênicas, promovendo maior gasto energético e atividade termogênica. A cafeína aumenta o estado de alerta, o foco e a capacidade de permanecer acordado.

No entanto, em excesso, ela tem sido associada a efeitos adversos, como dores de cabeça, náuseas, ansiedade e hipertensão.

Ingestão de cafeína por grávidas e lactantes

A presença tão disseminada dessa substância, e seus conhecidos efeitos no cérebro e no metabolismo, ajuda a explicar por que ela também desperta dúvidas, especialmente entre mulheres grávidas ou em fase de amamentação.

Embora profissionais de saúde recomendem moderação no consumo durante a gestação, o hábito de ingerir cafeína persiste para grande parte das mulheres. E é justamente nesse ponto que a ciência lança seu olhar: quais são as consequências dessa exposição precoce para o desenvolvimento do bebê?

Nós pesquisadores do Laboratório de Fisiologia Endócrina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) temos uma linha de pesquisa experimental sobre o impacto direto e indireto da cafeína em fetos e recém-nascidos. Nos últimos dois anos, publicamos alguns artigos científicos sobre essa correlação.

O que a ciência já sabe

Em 2024, publicamos um artigo de revisão de literatura, no qual analisamos cerca de 120 estudos que investigaram em modelos experimentais com roedores as ações da cafeína em fetos e recém-nascidos e as correlações com saúde e doença. De fato, evidências epidemiológicas e experimentais revelam o impacto da exposição precoce à cafeína.

Vale esclarecer que a semelhança do metabolismo da cafeína entre humanos e roedores permite compreender os mecanismos moleculares afetados pela exposição pré-natal à cafeína. A ingestão materna de cafeína afeta o peso corporal e o sistema endócrino da prole ao nascimento e exerce efeitos de longo prazo sobre o sistema endócrino, a função hepática, o metabolismo da glicose e dos lipídeos, o sistema cardíaco, o sistema reprodutivo e o comportamento.

Fonte: Superinteressante

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