EUA acusam cofundador da Supermicro de fraude de US$ 2,5 bilhões para exportar hardware à China
Publicado em 21 de março de 2026 às 11:00
2 min de leituraO Departamento de Justiça dos Estados Unidos formalizou uma acusação contra Yih-Shyan Liaw, cofundador da Supermicro, e outros dois executivos da fabricante por operarem uma rede logística clandestina. O grupo é suspeito de movimentar US$ 2,5 bilhões em servidores de alta performance, equipados com aceleradores da NVIDIA, para clientes em território chinês, contornando as restrições de exportação impostas pelo governo americano. A investigação detalha que o trio utilizava empresas de fachada registradas em países do Sudeste Asiático para ocultar o destino final das máquinas, que legalmente não poderiam ser vendidas para entidades na China devido ao potencial de uso em tecnologia militar e inteligência artificial avançada.
Para sustentar a operação sem disparar os alertas de conformidade interna, Liaw e seus cúmplices estruturaram uma logística de múltiplas camadas baseada em documentação fraudulenta. O processo incluía a montagem de milhares de servidores falsos, conhecidos como "dummies", usados para enganar auditores durante inspeções físicas de estoque. Provas colhidas por câmeras de segurança mostram os envolvidos utilizando secadores de cabelo para descolar etiquetas originais e substituir números de série, garantindo que o hardware de ponta fosse enviado para a China enquanto os registros oficiais indicavam a permanência dos itens em armazéns de terceiros ou o envio para mercados permitidos.
Em resposta imediata às acusações, a Supermicro emitiu um comunicado confirmando o afastamento dos executivos citados no processo. A empresa afirmou que as ações descritas pelo Departamento de Justiça violam as políticas internas de controle de exportação e os protocolos de governança da companhia. A fabricante declarou estar colaborando com as autoridades federais e reforçou que mantém programas de conformidade para seguir as leis de reexportação dos Estados Unidos, embora o volume financeiro da fraude investigada — os US$ 2,5 bilhões — represente uma brecha sem precedentes na fiscalização de hardware crítico para o setor de IA.
Fonte: Hardware.com.br
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