
NVIDIA decide injetar US$ 150 bilhões por ano em Taiwan e muda o ritmo da guerra do silício
Publicado em 27 de maio de 2026 às 15:58
3 min de leituraA NVIDIA planeja investir US$ 150 bilhões por ano em Taiwan. O número, anunciado pelo CEO Jensen Huang durante um evento de lançamento em Taipei para a nova sede taiwanesa da companhia, é tão expressivo que merece ser lido duas vezes: não é um compromisso total ao longo de uma década, é uma cifra anual. Huang contextualizou a escalada: "Quatro anos atrás, cinco anos atrás, a NVIDIA gastava cerca de 10, 15 bilhões de dólares por ano em Taiwan. Agora estamos gastando 100, chegando a 150 bilhões de dólares em Taiwan a cada ano." Para quem acompanha a trajetória da empresa, o salto não é uma surpresa, mas a velocidade com que os valores cresceram diz muito sobre onde a guerra do silício está sendo travada.
Taiwan como capital global do silício
Huang foi além dos números e declarou que "Taiwan é o epicentro da revolução da IA". O executivo também afirmou que "é aqui que os chips são produzidos, as embalagens são feitas, os sistemas são fabricados e os supercomputadores de IA foram criados. O número de parceiros com quem trabalhamos aqui em Taiwan é incrível.".
A ilha abriga a TSMC, maior fabricante de semicondutores do planeta, e Huang já havia declarado publicamente que "sem a TSMC, não existe Nvidia hoje", descrevendo a foundry como "o orgulho de Taiwan". A nova sede da NVIDIA em Taiwan, cujas obras terão início ainda neste ano com conclusão prevista para 2030, tem custo estimado de US$ 5 trilhões e deve gerar 4.000 empregos diretamente. É uma aposta de longo prazo em um hub que já concentra boa parte da cadeia produtiva de hardware de ponta do mundo, de wafers a sistemas completos de computação de alto desempenho.
AMD também puxou a fila em Taiwan
O anúncio da NVIDIA não veio no vácuo. Na semana anterior, a AMD havia declarado um investimento de ao menos US$ 10 bilhões em tecnologia taiwanesa para acelerar infraestrutura de IA de nova geração. A corrida por capacidade de fabricação em Taiwan não é mais um posicionamento estratégico, é uma necessidade operacional para quem quer liderar o mercado de aceleração de IA.
A outra face do tabuleiro: China zerada
O entusiasmo de Huang com Taiwan contrasta diretamente com o cenário que a companhia enfrenta na China. O próprio CEO declarou recentemente que, no mercado chinês de hardware para IA, a NVIDIA caiu para zero. As restrições de exportação impostas pelos EUA sobre chips de IA tornaram o país praticamente inacessível para a empresa, que perdeu fatia de mercado para fabricantes locais.
Na tentativa de reverter parte desse quadro, Huang embarcou no Air Force One ao lado do presidente Donald Trump e de representantes da Micron e da Qualcomm para negociações comerciais com a China. O resultado parcial foi a aprovação americana para a venda do segundo melhor chip de IA da Nvidia a 10 empresas chinesas, mas, no momento da publicação desta matéria, a China ainda não havia confirmado o aceite do acordo.
Em 2026, o mapa da NVIDIA se desenha em dois movimentos opostos e simultâneos: aprofundar raízes em Taiwan, onde a infraestrutura produtiva para IA é insubstituível no curto prazo, e tentar reconquistar qualquer espaço possível na China antes que os concorrentes locais solidifiquem suas posições. Para o mercado de GPUs e aceleradores de IA, o que acontece nesses dois territórios vai ditar o ritmo de inovação e os preços que o entusiasta vai encontrar nas prateleiras pelos próximos anos.
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Fonte: Hardware.com.br
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