
Google paga US$ 10 milhões por e-mails e conversas internas de companhia aérea falida para treinar IA
Publicado em 22 de agosto de 2026 às 14:00
2 min de leituraA Spirit Airlines parou de voar, mas uma parte pouco óbvia de seus ativos despertou o interesse do Google: anos de e-mails, conversas entre funcionários, documentos e código de software. A gigante de tecnologia venceu um leilão judicial ao oferecer US$ 10 milhões pelo conjunto de dados da companhia aérea falida. O Google confirmou que pretende usar o material para melhorar seus produtos e modelos de inteligência artificial. A transação, entretanto, ainda depende de autorização judicial e agora enfrenta questionamentos sobre a privacidade dos antigos funcionários.
Google terá acesso a centenas de milhões de mensagens
O tamanho do acervo ajuda a explicar o interesse. Documentos judiciais apontam aproximadamente 100 milhões de e-mails corporativos e 500 milhões de conversas do Microsoft Teams. Também estão incluídos cerca de 17 milhões de arquivos do OneDrive, mais de 20 milhões de itens do SharePoint e 516 repositórios contendo aproximadamente 30 milhões de linhas de código. O pacote ainda contém planilhas, calendários, documentos de gestão de projetos, materiais de marketing e informações relacionadas a operações de aeronaves, produtividade, finanças e auditorias.
Esse tipo de conteúdo tem uma característica valiosa para o desenvolvimento de IA: registra como pessoas realmente trabalham dentro de uma empresa, incluindo comunicação entre equipes, tomada de decisões e execução de processos. O Google afirmou que adquiriu parte do conjunto de dados corporativos porque ele pode ajudar a melhorar seus produtos e modelos de IA. A empresa também diz que não receberá informações pessoais identificáveis.
Sindicato tenta impor mais proteção aos dados dos funcionários
Antes da transferência, uma empresa terceirizada deverá remover ou transformar informações capazes de identificar pessoas. Perfis de passageiros e dados de programas de fidelidade também ficam fora da operação. Isso, porém, não encerrou a discussão sobre privacidade.
A Association of Flight Attendants-CWA, que representa comissários da Spirit, contestou a venda. O sindicato argumenta que os arquivos incluem registros sensíveis de funcionários e que preservar relações entre diferentes conjuntos de dados poderia permitir a reconstrução de informações sobre indivíduos ou pequenos grupos mesmo após a anonimização. Por causa da objeção, a audiência que analisaria a venda foi adiada para 9 de setembro. Portanto, apesar de o Google ter vencido o leilão, a empresa ainda não pode tratar o acervo como definitivamente adquirido.
A disputa também mostra quanto dados corporativos passaram a valer na corrida pela IA. A Mercor, especializada em dados e treinamento para inteligência artificial, havia apresentado uma proposta de US$ 7,5 milhões e ficou como licitante reserva. A falência da Spirit colocou à venda algo que há poucos anos dificilmente seria considerado um dos ativos mais disputados de uma companhia aérea, o registro digital de como milhares de pessoas trabalharam durante anos.
Fonte: Hardware.com.br
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