Ex-engenheiro da Samsung é condenado a 7 anos de prisão por vender segredos de DRAM à China
Publicado em 22 de abril de 2026 às 09:53
2 min de leituraO roubo de propriedade intelectual no setor de semicondutores resultou em uma sentença severa na Coreia do Sul, refletindo a crescente tensão geopolítica na guerra dos chips. Um ex-engenheiro da Samsung Electronics foi condenado a sete anos de prisão após ser considerado culpado por desviar e vender segredos industriais críticos da tecnologia DRAM para a empresa chinesa CXMT (ChangXin Memory Technologies). Além da pena de reclusão, o tribunal impôs uma multa de mais de US$ 4 milhões, dobrando o valor que ele teria recebido pelo crime.
A investigação revelou que o engenheiro, identificado apenas como "Sr. Kim", recebeu aproximadamente US$ 2 milhões (cerca de 2,7 bilhões de ienes) em subornos e benefícios da fabricante chinesa. Em troca, ele transferiu o "Santo Graal" do setor: informações sobre o processo de fabricação de memórias DRAM de 18 nanômetros. Esses dados incluíam mais de 600 arquivos técnicos detalhados sobre deposição de camadas e fotolitografia, conhecimentos que a Samsung levou décadas e bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento para consolidar.
O "Cavalo de Troia" corporativo
O esquema operava através do recrutamento de outros talentos sul-coreanos. Kim atuou como um caça-talentos para a CXMT, prometendo salários astronômicos a ex-colegas da Samsung em troca de "consultoria" técnica. Para o governo sul-coreano, a ação não foi apenas uma infração corporativa, mas um crime contra a segurança nacional. O Tribunal Distrital de Seul Central destacou na sentença que o vazamento permitiu que a China reduzisse drasticamente o gap tecnológico que a separava da Coreia do Sul, ameaçando a soberania de mercado da Samsung e da SK Hynix.
Tolerância zero na guerra dos chips
Esta condenação marca uma mudança na postura do judiciário sul-coreano, que historicamente aplicava penas mais leves para espionagem industrial. Com a pressão global para proteger as cadeias de suprimento de silício, o país adotou uma política de tolerância zero. O caso serve como um alerta para a indústria: em 2026, segredos de design de chips são tratados com o mesmo rigor que segredos militares, e o custo de "vender" o progresso tecnológico de uma nação pode ser o fim da liberdade e da carreira do profissional envolvido.
Fonte: Hardware.com.br
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