Fotos de 1997 mostram Kojima, aos 33 anos, numa sala de aula da Konami, ensinando sobre criatividade
Publicado em 10 de abril de 2026 às 14:15
3 min de leituraAs fotografias circularam recentemente nas redes sociais e mostram Hideo Kojima segurando um microfone na frente de um quadro branco coberto de anotações em japonês, diante de uma sala cheia de jovens atentos. O registro é de 1997, ano em que ele conduziu a aula inaugural da Konami School em Kobe com o tema "Como as ideias nascem?
A escola que a Konami criou para formar seus próprios criadores
A escola era a Konami Computer Entertainment School Co., Ltd., uma instituição de formação profissional criada pela própria Konami em março de 1997 para treinar criadores de jogos. O modelo era estruturado em três frentes: design, programação e som, com mensalidades entre 800 mil e 1,2 milhão de ienes. Uma unidade em Tóquio foi aberta na primavera de 1998, e a de Kobe, onde Kojima deu a aula, já funcionava antes disso. Ex-alunos descrevem o espaço como equipado com PCs, sintetizadores Roland JP-8000, consoles de desenvolvimento PlayStation e uma sala de mixagem com mesa O2R
O que estava em jogo naquele palco em 1997
Em 1997, Kojima tinha 33 anos e já carregava uma história de resistência dentro da própria empresa que o contratou. Quando entrou na Konami em 1986, um projeto de jogo de guerra estava travado há dois anos sem resultado, veteranos tentavam, descartavam e recomeçavam, e havia uma lenda interna de que trabalhar naquele projeto poderia resultar em rebaixamento. O projeto foi passado para Kojima. Em entrevista à Nice Games em 1999, ele descreveu o que veio a seguir: "Eu queria fazer um jogo de ‘guerra’ que fosse mais sobre fuga. Vocês conhecem o filme ‘A Grande Fuga’? Imaginei um jogo baseado nesse conceito. Mas quando apresentei a ideia aos desenvolvedores mais experientes, eles foram bastante desdenhosos: ‘Não existe isso em jogos’.
O quadro branco fotografado ao fundo revela o que Kojima estava ensinando com uma precisão maior do que a imagem em miniatura permite notar. No topo, uma sequência com setas: シナリオ → コントラ → 場初, ou seja, "cenário → conflito → cena inicial". À esquerda, アニメ (anime) e 映画 (cinema/filme) aparecem com chaves apontando para マンガ (mangá) no centro, que por sua vez recebe uma seta de 小説 (romance/literatura), com a anotação (1人) — "uma pessoa" — logo abaixo. O diagrama não trata de mecânicas de jogo. Kojima ensinava criação narrativa pela lógica da linguagem visual japonesa: anime, cinema e literatura convergindo para o mangá como referência central do criador, com o indivíduo como ponto de síntese de todas essas influências — e faz sentido que fosse exatamente isso, dado que foi um filme, A Grande Fuga, a semente de Metal Gear anos antes.
De Metal Gear Solid ao fim conturbado com a Konami
Um ano após a aula na Konami School, Metal Gear Solid chegou ao PlayStation em 1998 e vendeu mais de 6 milhões de cópias, iniciando a fase mais celebrada da parceria entre Kojima e a empresa. Juntos, eles produziram a série completa de Metal Gear Solid e Zone of the Enders, entre outros títulos. O encerramento, porém, foi tumultuado: Metal Gear Solid V: The Phantom Pain enfrentou problemas graves de desenvolvimento, e Kojima deixou a Konami em 2015 em circunstâncias que nunca foram completamente esclarecidas publicamente por nenhuma das partes. Em 2015, ele fundou a Kojima Productions e lançou Death Stranding em 2019.
O que ficou da escola
A Konami School deixou de operar anos depois, sem uma data de encerramento publicamente documentada, mas seu legado aparece nos currículos de vários desenvolvedores que passaram pela empresa nos anos seguintes. A existência de uma escola interna desse porte, num período em que a indústria japonesa de jogos não tinha cursos universitários consolidados na área, reflete quanto a Konami apostou na formação própria de talentos durante a segunda metade dos anos 1990. O homem que quase saiu antes de lançar seu primeiro jogo acabou sendo o mesmo que abriu as portas dessa escola, e o diagrama que ele desenhou no quadro, com cinema, anime e mangá convergindo para uma única pessoa criadora, parece menos uma aula e mais uma autobiografia
Fonte: Hardware.com.br
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