
Maior câmera digital do mundo flagra asteroide de 710 metros
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 14:25
3 min de leituraResumo rápido!
A câmera LSST de 3,2 gigapixels do Observatório Vera C. Rubin detectou o asteroide 2025 MN45, um objeto de 710 metros que completa rotação completa em menos de dois minutos. A descoberta desafia teorias sobre estrutura interna de asteroides e marca a primeira publicação científica revisada por pares usando dados do instrumento.
Asteroides grandes geralmente levam horas para completar uma rotação. O 2025 MN45 dá um giro completo em 1,88 minuto, desafiando o que sabemos sobre a física desses objetos e forçando astrônomos a reconsiderarem teorias sobre formação planetesimal.
3,2 gigapixels varrendo o céu chileno
O Observatório Vera C. Rubin, localizado no Cerro Pachón no Chile, abriga a câmera digital mais poderosa já construída. Com 3,2 gigapixels distribuídos por um campo de visão de 9,6 graus quadrados e equipada com seis filtros ópticos, a LSST (Legacy Survey of Space and Time) Camera representa o estado da arte em astronomia de levantamento.
Entre abril e maio de 2025, a câmera capturou dados durante sete noites, totalizando aproximadamente dez horas de observação. Cada exposição durava apenas 40 segundos, tempo suficiente para detectar variações mínimas de brilho causadas pela rotação de asteroides. Essas flutuações de luminosidade, conhecidas como curvas de luz (lightcurves), permitem que cientistas calculem com precisão a velocidade rotacional dos objetos.
Com 710 metros de diâmetro — equivalente a oito campos de futebol americano enfileirados — o 2025 MN45 é grande demais para girar tão rápido sem se desintegrar, assumindo que seja composto apenas por agregados de rocha solta mantidos por gravidade. A maioria dos asteroides é exatamente isso: “pilhas de entulho” (rubble piles) sem coesão estrutural significativa.
Sarah Greenstreet, astrônoma do NSF NOIRLab e líder do grupo de trabalho sobre objetos próximos à Terra do Observatório Rubin, coordenou a análise. Os resultados foram publicados no The Astrophysical Journal Letters em 7 de janeiro de 2026, marcando a primeira vez que dados da câmera LSST aparecem em um estudo científico revisado por pares.
Entre 76 asteroides com medições confiáveis de rotação, 16 foram identificados girando em velocidades significativamente aceleradas. Três deles completam rotações em menos de cinco minutos, mas o 2025 MN45 conquistou o primeiro lugar na categoria de objetos maiores que 500 metros.
Núcleo sólido ou restos de colisão?
A velocidade de rotação implica resistência estrutural interna considerável. Para não se despedaçar sob forças centrífugas extremas, o asteroide precisa ter coesão além da mera gravidade — possivelmente um núcleo de rocha sólida.
Greenstreet teoriza que o 2025 MN45 pode ser remanescente de um núcleo de corpo parental muito maior que sofreu fusão e posterior fragmentação devido a impacto massivo. Essa hipótese explicaria tanto a composição sólida quanto a rotação incomum
Descobertas como esta fornecem janelas para o passado distante do sistema solar. As taxas de rotação revelam condições ambientais durante a formação dos asteroides e como impactos ao longo de bilhões de anos alteraram suas propriedades físicas.
Preparação para a grande varredura decenal
Esta detecção ocorreu durante a fase de testes do observatório, antes mesmo do início oficial do Legacy Survey of Space and Time de dez anos. Nesse período de calibração, o sistema já descobriu milhares de objetos do sistema solar, incluindo mais de 1.900 asteroides previamente desconhecidos
Aaron Roodman, vice-diretor do projeto LSST e professor da SLAC, observa que descobertas deste calibre são exatamente o que se espera quando o observatório atingir capacidade operacional completa. Uma vez em ritmo total, a câmera produzirá volumes de dados astronômicos que permitirão identificação e caracterização de asteroides em escala inédita.
Até recentemente, todos os relatos de rotação ultrarrápida eram de objetos pequenos próximos à Terra. Asteroides do cinturão principal — localizados na região entre Marte e Júpiter — são consideravelmente mais fracos quando observados da Terra, tornando estudos detalhados praticamente impossíveis sem instrumentos da magnitude da LSST.
A capacidade de detectar e analisar objetos do cinturão principal com essa precisão abre novo campo de pesquisa. Estatísticas robustas sobre distribuição de rotações rápidas podem revelar padrões sobre história colisional do sistema solar, processos de formação planetária e evolução dinâmica de populações de asteroides ao longo de eras geológicas.
Fonte: Hardware.com.br
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