
O choque de realidade: 90% dos executivos admitem que a IA ainda não aumentou a produtividade
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 11:40
2 min de leituraSe você acompanha o noticiário de tecnologia, provavelmente tem a sensação de que a Inteligência Artificial já transformou completamente o mercado de trabalho. No entanto, quando saímos dos palcos de apresentação do Vale do Silício e olhamos para as planilhas das empresas, a realidade é bem menos espetacular.
Um vasto estudo recente conduzido pelo National Bureau of Economic Research (NBER) jogou um balde de água fria nas expectativas do mercado: a esmagadora maioria das empresas ainda não viu nenhum ganho real de produtividade com a IA.
O abismo entre o discurso e a prática
A pesquisa entrevistou mais de 6.000 CEOs e altos executivos de empresas nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália. Os números revelam um cenário de adoção extremamente tímida:
• 90% dos líderes afirmam que a Inteligência Artificial não teve absolutamente nenhum impacto em suas operações nos últimos três anos.
• Cerca de 25% dos entrevistados sequer utilizam IA no ambiente de trabalho.
• Entre os que afirmam utilizar ferramentas generativas, o uso médio é de apenas 1,5 hora por semana.
Esses dados batem de frente com as previsões otimistas de anos anteriores. Em 2023, pesquisadores do MIT chegaram a prever que a adoção da IA aumentaria a produtividade da força de trabalho em espantosos 40%.
O Paradoxo de Solow ataca novamente
O cenário atual levanta questionamentos sobre os bilhões de dólares (e a capacidade das fábricas de semicondutores) que estão sendo drenados para a construção de mega data centers. Uma análise do Financial Times mostrou que, embora 374 empresas do S&P 500 afirmem estar implementando IA ativamente, isso não se traduziu em crescimento econômico ou eficiência operacional entre 2024 e 2025.
Para os economistas, essa frustração inicial não é novidade. O fenômeno está sendo comparado ao famoso Paradoxo da Produtividade de Solow. No final da década de 1980, o ganhador do Nobel Robert Solow cunhou a frase: “Você pode ver a era do computador em todos os lugares, exceto nas estatísticas de produtividade”.
Naquela época, a adoção dos primeiros PCs gerou mais confusão (com excesso de relatórios inúteis e adaptação de software) do que agilidade. O verdadeiro “boom” de produtividade dos computadores só foi sentido nas planilhas econômicas quase uma década depois, nos anos 90 e 2000, quando os processos de trabalho foram fundamentalmente reescritos para a era digital.
A conclusão do mercado é que a IA não é uma pílula mágica instantânea. A tecnologia existe e impressiona, mas as empresas ainda não descobriram como reestruturar o trabalho humano para extrair valor real dela no dia a dia. Até lá, o investimento massivo continuará sendo uma aposta bilionária no futuro.
Fonte: Hardware.com.br
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