Pular para o conteúdo
O DNA de Leonardo da Vinci pode estar escondido em um esboço do menino Jesus
Tecnologia
dna
leonardo
vinci
pode
estar
escondido

O DNA de Leonardo da Vinci pode estar escondido em um esboço do menino Jesus

Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 12:01

2 min de leitura

Nos recônditos de um antigo esboço de Jesus Cristo, cientistas afirmam ter encontrado rastros genéticos de um dos maiores nomes do Renascimento: Leonardo da Vinci.

Menino Jesus, como veio a ser chamado o desenho, foi feito no papel com giz vermelho entre os anos 1472 e 1476. A obra mostra a cabeça inclinada de um Cristo ainda em sua infância.

O papel é quase uma cápsula do tempo: nos poros de suas fibras, esse material absorve fragmentos de pele, suor e material genético de qualquer um que já o tenha manuseado. Analisando a superfície com um par de finos cotonetes – primeiro um úmido, depois outro seco – os cientistas coletaram amostras de DNA que podem pertencer ao próprio pintor renascentista.

As pistas estão em sua linhagem paterna. Mais especificamente, no cromossomo Y, que (via de regra) é encontrado em pessoas sexo masculino, e é passado de pai pra filho – em certas partes, quase inalterado. Os pesquisadores afirmam ter identificado, na superfície do desenho, certas sequências do cromossomo Y condizente com aquelas encontradas em uma carta escrita por um primo do artista: ambas pertencem ao mesmo agrupamento genético de pessoas que compartilham um ancestral comum na região de Toscana, na Itália.

Mas vamos com calma: cravar as origens davincianas dessa nova amostra de DNA é uma tarefa bem complicada, e faltam muitas informações para dizer, com certeza, a quem pertencem esses rastros genéticos.

A própria autoria da obra é disputada: apesar de conter características do traço de Da Vinci, ainda é possível que ela tenha saído de um de seus aprendizes. Além disso, até encontrar sua morada atual, numa coleção privada na cidade de Nova Iorque, essa folha de modestas dimensões teve que passar pelas mãos de inúmeras pessoas.

Uma versão preliminar da pesquisa foi divulgada na plataforma BioRxiv, nesta última terça-feira (6), em formato preprint. Esse é o nome dado às publicações que ainda não passaram pela etapa da revisão de pares, na qual especialistas analisam e criticam o trabalho. No mesmo dia, um artigo da revista Science contou a história dessa empreitada.

O estudo é resultado de uma busca recheada de limitações e incertezas, conduzida pelo Leonardo da Vinci DNA Project (LDVP), um coletivo global de cientistas que, há uma década, corre atrás das pegadas genéticas deixadas por uma das pessoas mais influentes da História.

Há vários interesses por trás das investigações do LDVP. O principal tem a ver com a autenticação das obras no mercado das obras de arte. Hoje, para verificar se uma pintura é, de fato, um da Vinci, são necessários profissionais especializados no traço do artista, com o olho treinado para pegar as falcatruas. Mas algumas novas abordagens têm procurado encontrar as pegadas biológicas em suas telas.

Os cientistas também querem descobrir se o talento multidisciplinar do renascentista pode ser explicado, em parte, por algum traço genético.

Fonte: Superinteressante

Leia também